A Falência e a Falácia – O Retrato de 1987

1987, ah, o famoso ano da Taça das Bolinhas.  Da Copa União. Ano de uma polêmica fantasma que a mídia inventou, que pernambucano engoliu e que sinceramente não existe. Mas, principalmente, o ano em que o Futebol quebrou e renasceu.

O Blog EU, RADAMÉS Y PELÉ revê o ano em que o Futebol precisou levar um susto pra virar o monstro financeiro que é hoje. Frustrados pelo fracasso da maravilhosa, pero derrotada,  Seleção Brasileira em 1982 e 1986 e somados a um terrível cenário econômico do país e um escândalo de loterias esportivas anos atrás, o Futebol Nacional entrava em colapso.

Já dava as primeiras mostras de colapso quando, sabe Deus porque, a Final do Brasileirão de 1986, entre Guarani x São Paulo, vencida pelo Tricolor Paulista, foi disputada apenas em Fevereiro de 1987. A CBF não reunia condições morais e financeiras de realizar um Campeonato de alto nível.

Juntaram então, a Globo, a Varig, a Coca-Cola, a Editora Abril, os 13 maiores clubes do país (os 4 de SP, os 4 do RJ, os 2 de MG, os 2 do RS e o Bahia, que posteriormente formariam o Clube dos 13), mais Goiás, Santa Cruz e Coritiba, (os mais populares de três outras praças), totalizando dezesseis. Sem explicação, caíam fora o Guarani, vice-campeão de 1986 e o América RJ, terceiro lugar. Fechou o grupo e nascia a Copa União.

Com exceção de Flamengo e Corinthians, estes, por sua vez, já com patrocínios e se recusando a trocar, todas as equipes da Copa União trouxeram Coca-Cola na camisa.

A CBF não gostou nem um pouco e tentava atrapalhar não cedendo os árbitros, pois ficara com o desinteressante Módulo Amarelo, com equipes, na maioria delas, semi-amadoras, de estados que até hoje não se pratica o Futebol Profissional com capricho como Acre, Mato Grosso, Alagoas e Espírito Santo e um Campeão Brasileiro de mentira. Uma Falácia.

Mas mesmo assim, a fórmula era um sucesso, com exceção dos números. Sim, os números foram um fracasso. Até hoje é a pior média de público da história do Brasileirão, mas essa “Falência” nos fez aprender algumas coisas muito importantes, as quais, citamos abaixo.

– Era o fim dos atrasos nos jogos de Futebol. Os clubes tinham multas a pagar caso os jogos atrasassem.

– Patrocínios e Transmissão. Talvez sem Copa União, o Futebol quebraria de vez, sem a Globo e as grandes marcas.

–  Futebol Brasileiro inexiste sem a Globo, salvo em casos extremamente esporádicos, de Finais. Não contamos o total desses casos numa mão.

– Só jogões. Nada de nanicos no meio dos gigantes estaduais (assunto que por sinal, já discutimos no Blog meses atrás).

– O Flamengo vencia o Internacional e era Campeão Brasileiro. De forma legítima e genuína.

E o Sport Recife ?

Caros, exceto na cabeça de meia dúzia de dirigentes, o Sport Recife nunca foi Campeão Brasileiro de 1987. Que me perdoem os torcedores do rubro-negro de Pernambuco, mas tudo não passa de uma Falácia anti-popular. Aceitem isso.

No ano, a bola não estava mais com a Falida CBF. Estavam com a Globo, com os clubes e com os patrocinadores. Futebol é um assunto de esferas populares, que se decide pelo povo, nunca por cartolas. O título do Flamengo aconteceu com o povo como testemunha. O “título” do Sport Recife não aconteceu. Em 1987, a CBF não apitava em nada.

 

Para a história do Futebol de verdade, ficam os clássicos, as transmissões na Globo, o gol do Bebeto em Taffarel e o Maracanã em Festa.

Para as falácias, um Futebol Falido, no esquecimento, quebrado e devedor da CBF é o grande retrato do trunfo do Sport Recife.

Talvez, este retrato também sirva para comprovar que foi ali que o Futebol renascia, feito criança, lotava Maracanãs e dava lucro.

Outra coisa: Note que, a partir dali, exatamente a partir dali, o Futebol do eixo Sudeste-Sul engrenava financeiramente enquanto o do Norte e Nordeste desaparecia e quebrava ano após ano no Brasileirão. O título do Bahia no ano seguinte parecia ser o último momento de estrelato de um clube dessa região.

E o que fica para nós no ano conturbado mas que serviu de lição, é que em 1987, quem mais lotava o Maracanã não eram os astros da bola, mas sim, a criançada do Trem da Alegria.

Provavelmente, sem querer, uma simbologia velada de um Futebol Criança, que renascia em 1987 após a lição que dava na CBF. O profissionalismo engatinhava para quem acreditava no Futebol Brasileiro.

 

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

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