A Página mais valiosa da Javari

Caros amigos do Blog EU, RADAMÉS Y PELÉ , é o seguinte. Dia 2 de Agosto de 1959, acontecia, para poucos, uma das páginas mais valiosas da história do Futebol, e provavelmente a mais rica da Rua Javari, e do glorioso Juventus da Mooca.

Após chapelar quatro atletas, inclusive o goleiro Mão de Onça, Pelé faz aquele que, para muitos, seria o gol mais lindo de sua carreira. O problema é que, numa era onde mal haviam registros de imprensa, televisão é transmissão ao vivo, nem pensar,  a imagem ficou viva na memória de quem estava lá.

E, para falar sobre isso, peço licença deste espaço por uma noite e convido meu grande amigo Bruno Hoffmann, que escreveu um livro sobre o Juventus da Mooca em 2004, e também aborda exatamente este gol. No aniversário da página mais famosa do Juventus, segue um pequeno relato desta tarde.

Viaje no tempo ! Mergulhe na história e apenas imagine. Imagine o que Pelé, Mão de Onça e os raríssimos sobreviventes da Rua Javari 53 anos atrás puderam ver, ouvir e não acreditar.

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

 

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Vicente Romano Neto, o torcedor que desenhou o gol mais bonito de Pelé
(por Bruno Hoffmann)

No dia 2 de agosto de 1959, há exatos 53 anos, Pelé fez o gol que ele próprio considera o mais bonito de sua carreira. O lance aconteceu numa partida contra o Juventus, no estádio da Rua Javari, em uma vitória santista por quatro a zero.

O lance se tornou lendário. Principalmente pelo fato de não uma única câmera de vídeo no estádio. Só os nove mil presentes naquela tarde mooquense pode descrever o lance. E um mais especialmente: Vicente Romano Neto, então um adolescente de 17 anos, que assistiu ao lance e, para não esquecê-lo, desenhou num pedaço de papel toda a jogada.

Em 2004, escrevi um livro sobre o Juventus para o meu TCC da faculdade de Jornalismo. Um dos entrevistados, claro, foi Vicente Romano Neto. Descrevo, abaixo, o seu depoimento sobre o lance histórico e sua versão para o gol mais bonito do Rei do Futebol.

O dia inesquecível e o desenho

No dia, havia, mais ou menos, dez mil pessoas na Javari. O estádio estava superlotado. Consideremos que mais de cinco mil já devem ter morrido, sobraram metade. Dessas pessoas, é possível tirar muitas pessoas, que ou não viram o lance ou não se lembram mais. Talvez eu seja a única pessoa que possa falar com exatidão sobre a jogada. Eu desenhei o lance.

Chovia muito forte na Mooca naquele dia. Eu, que tinha 17 anos, sai cedinho de casa para acompanhar a partida. Cheguei ao meio-dia, muito molhado. As arquibancadas ainda estavam quase vazias. Como de costume, entrei de graça. Como meu avô foi um dos fundadores do clube, eu nunca precisei pagar ingresso.

A chuva continuava forte, então me posicionei na arquibancada coberta do estádio, abaixo das cabines de rádio. Aos poucos, iam chegando os torcedores. Às duas da tarde, uma hora antes da partida, as arquibancadas já estavam totalmente tomadas, quase somente por juventinos. Pelos meus cálculos, havia cerca de dez mil pessoas naquele dia, sendo que a lotação oficial era de nove mil.

Devido a minha posição privilegiada, vi o gol como poucos. No instante em que a bola entrou, as palmas não pararam. Eu estava posicionado abaixo das cabines de rádio. Até hoje está em minha memória o berro que um dos locutores deu. Ele berrava mesmo!

Quando cheguei em casa, fui logo contar o lance ao meu pai. Ele me disse que tinha ouvido a partido pelo rádio, mas se apressou em me pedir a descrição. Para explicar melhor, peguei um papel, um lápis e desenhei toda a jogada. Esse desenho eu tenho até hoje. Por isso que me considero a única pessoas capaz de saber como foi toda a jogada.

Anota aí como foi: o Dorval pegou a bola pela lateral direita e cruzou, rasteira, para Pelé, na entrada da área. Ao tentar a antecipação, Homero tomou o primeiro ‘quase’ chapéu. Na verdade, a bola passou por cima do seu ombro. Logo após veio Clóvis, e levou um chapéu perfeito. Julinho chegou, desesperado, e recebeu mais um chapéu.

O nosso goleiro se jogou para agarrar a bola, e Pelé deu um toque por elevação. Na cara do gol, e percebendo que Clóvis voltava correndo para tentar evitar a conclusão, o santista deu sucessivos toques de cabeça, conduzindo a bola até o gol. Mas nem precisava ter desenhado. O momento nunca saiu da minha cabeça”.

Bruno Hoffmann é corinthiano, admirador da rica história do futebol, botequim e política e também é jornalista. Trabalha na revista Almanaque Brasil, distribuída em aviões da TAM. A convite de Luís Butti, posta pela primeira vez neste espaço.

Reveja abaixo uma animação de como imaginaram o gol de Pelé contra o Juventus:

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