Jovens Tardes de Domingo

Caros amigos do Blog EU, RADAMÉS Y PELÉ, e a semana olímpica e futebolística começou e passou voando. Já estamos na quarta-feira (vish) e este post era pra ter saído na segunda-feira. Mas não tem problema não. Ele continua atemporal e servindo ontem, hoje e sempre. Até porque o assunto é velharia.

É que é o seguinte. No domingão que acabou de passar, pelo Brasileiro de 2012, tivemos dois confrontos, que, por se repetir N vezes em situações especiais, me marcaram MUITO nos anos 80 e 90, quando criança, atingindo a pré-adolescência: Bahia x Corinthians e São Paulo x Flamengo.

E, como diria a Rosas de Ouro num clássico samba-enredo, se recordar é viver, vamos reviver agora essas Jovens Tardes de Domingo, que marcaram não apenas este que vos escreve neste espaço, mas milhões de torcedores da minha geração.

No domingão que passou, vimos um 0x0 meio murcho no Estádio do Pituaçu entre baianos e alvinegros e uma goleada do Tricolor Paulista pra cima do Mengão por 4×1 no Morumbi. Mas os dois resultados de domingo não importam tanto. São apenas mais dois num universo enorme e rico diante de dois jogaços que marcaram duas décadas.

Vitórias vem e vão para os quatro lados. E, no meio deles, alguns empates. Mas, peço licença as torcidas de Bahia, Corinthians, São Paulo e Flamengo para recordar um confronto de cada, que me marcou neste período.

De um lado, Bobô, Charles e Paulo Rodrigues. Do outro, Neto, Ronaldo e Tupãzinho. O 0x0 em Salvador foi uma Semi com nuances de Finalíssima.

De um lado, Bobô, Charles e Paulo Rodrigues. Do outro, Neto, Ronaldo e Tupãzinho. O 0x0 em Salvador foi uma Semi com nuances de Finalíssima.

O ano era 1990. A fase era semi-final. O Bahia, Campeão Brasileiro 2 anos atrás contra o Internacional (e também da Taça Brasil, décadas atrás, vale lembrar), avançava novamente ao mata-mata nacional com um puta esquadrão, como canta seu belíssimo hino.

Com a Fonte Nova lotadíssima e com direito a seu torcedor-símbolo, Lourinho, invadir o gramado fazendo macumba para todos os atletas do Corinthians, o Bahia entrou para uma guerra com a bola rolando.

Do outro lado, o Corinthians, até então nenhuma vez Campeão Nacional, chegava com um time de dez operários, como Ronaldo, Tupãzinho, Wilson Mano, Mauro, Fabinho e Ezequiel, e um craque: Neto.

Com uma pressão incessável do Tricolor da Boa Terra, o Corinthians, numa exibição de gala de seu goleiro Ronaldo, segura um 0x0 histórico entre o Esquadrão e o scratch operário de Sampa. A decisão ficava para uma semana depois, no Pacaembu. O empate classificava o Bahia.

Com 40.000 pessoas dentro do Pacaembu e 40.000 pessoas fora, como bem conta a Rádio Globo, o Bahia, mesmo saindo na frente, não aguenta e sucumbe ao talento de Neto e pela garra dos demais, levando a virada.

No Pacaembu, dá Corinthians, por 2×1, que por sua vez, vai a Final (e vencer) contra o São Paulo, sendo Campeão do Brasileirão pela primeira vez em sua história.

Cafu x Nélio: o confronto São Paulo x Flamengo era frequente nos anos 90, principalmente em 1993.

Cafu x Nélio: o confronto São Paulo x Flamengo era frequente nos anos 90, principalmente em 1993.

Três anos depois, um outro confronto que figurava em diversos momentos da década: São Paulo x Flamengo decidiam o título da SuperCopa 1993 no fim do ano. Os dois clubes já haviam se encontrado nas Quartas de Final da Libertadores do mesmo ano e tinha dado São Paulo com direito a golaço de Palhinha. Mas quis o destino que o resultado fosse o mesmo.

Porém, um pouquinho mais dramático.

Apesar do título coerente do post, os confrontos ocorriam durante a semana (apesar de acontecer várias vezes nos domingões). O primeiro jogo no Maracanã, com casa cheia e sede de vingança rubro-negra, tudo igual: 2×2. O São Paulo de Telê, já sem Raí, conseguia mais uma vez virar leão de finalíssima. E a decisão ficaria para o segundo jogo no Morumbi.

Mas não era. Flamengo é Flamengo, que por sua vez, re-empatava a partida, com um tirambaço do meia Marquinhos. Novamente tudo igual. Novamente 2×2. A solução para desempatar um confronto tão igual só poderia ser os clássicos porém dramáticos Pênaltis.

Ali, a sorte sorriu para o São Paulo: Marcelinho (isso mesmo, Marcelinho Carioca, meses antes de se transferir ao Corinthians, na época um moleque recém-revelado, mas de talento e chamado de apenas Marcelinho) acerta o pé da trave de Zetti.

As demais oito cobranças beijam a rede (o Fla nem precisou bater o último, não havia mais chance de empate), e o São Paulo novamente bate o Mengão nos anos 90 numa competição importante.

Outro triunfo do scratch de Telê, que ficara marcado na década. Reveja:

Ah, Jovens Tardes de Domingo (e tardes de sábado,  noites de quarta, quinta….), marcaram uma geração e se fizeram presente no Brasileirão de 2012. Que venham as próximas, relembrando bons momentos.

Me lembro com saudade o tempo que passou, e deste rol de grandes clássicos, que há de voltar.

NOTA DO BLOG: Para que não pensem em “favorecimento” no post, também não me esqueço e cito vitórias do Bahia sobre o Corinthians, como a do Título da Taça Maria Quitéria de 1998 (de extrema importância a clubes nordestinos) por 3×2 ou de vitórias do Flamengo sobre o São Paulo como os 2×0 no Brasileirão de 1993, com direito a gol de Casagrande (embora essas tenham acontecido muito mais na Era Zico, mas daí é outra história).

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

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