O Espiritismo, a Independência e a Abolição

Liberdade, Abolição e Independência por direito adquirido. Boa, Sheik !

Liberdade, Abolição e Independência por direito adquirido. Boa, Sheik !

Amigos, a ficha está caindo. Tentando manter o máximo de isenção, mas eu ainda estou emocionado com o ocorrido na última quarta-feira, dia 4 de julho deste ano de 2012. O meu Sport Club Corinthians Paulista, é, finalmente, Campeão da Libertadores da América 2012.

Venceu – quem diria – o tradicionalíssimo Boca Juniors da Argentina (que, por sua vez, cansou de vencer brasileiros em Libertadores e demais torneios), seis vezes campeão da Libertadores da América por 2×0 (dois gols de Émerson Sheik) num Pacaembu lotado de corinthianos, de fé e de devoção. E liberta um grito preso durante décadas.

Exceto o Santos de Pelé, que era fora de série e alheio a qualquer comparação (o negrão não é deste planeta), o Corinthians é o único clube brasileiro a vencer o Boca Juniors duas vezes em Finalíssimas de torneios Sul-Americanos. Em 1956, na Taça do Atlântico (leia mais buscando o assunto no Search) e em 2012, na Libertadores da América.

Se futebolísticamente (tática e técnica), não há dúvidas sobre todas as interpretações e análises de como o Corinthians conquistou as Américas, a questão agora é um pouco mais profunda: Antropológica e Espírita. Algo bem mais complexo de se tentar explicar. Mas eu prometo que irei tentar.

Não é novidade para os senhores que o clube de Parque São Jorge fracassou N vezes tentando conquistar as Américas. E o que era pior: neste período de fiascos e calvários, via seus rivais São Paulo, Santos, Palmeiras, Flamengo, Vasco da Gama, Cruzeiro, Grêmio e Internacional vencê-las. Alguns deles, mais de uma vez.

E o povo sofria. Faltava o grito de libertação. Proclamar a sua Independência de uma vez por todas dentro das Américas. Entrar para o clube dos vitoriosos no continente. Algo comparado a Independência Norte-Americana ou a Abolição da Escravatura. Demorou. Sofreu. Suou. Chorou. Mas sorriu. E sorriu de orelha a orelha nesta última semana.

Princesa Isabel, sem saber, era Corinthians. Recebeu a Rosa de Ouro, mas ela queria mesmo era a Libertadores. E conseguiu, neste dia 4 de Julho.

Princesa Isabel, sem saber, era Corinthians. Recebeu a Rosa de Ouro, mas ela queria mesmo era a Libertadores. E conseguiu, neste dia 4 de Julho.

E quis o destino que o grito de Independência Corinthiana acontecesse justamente num 4 de Julho, dia onde os Estados Unidos da América comemoram o Dia da Independência, se tornando, para os norte-americanos, um feriado mais celebrado e tão ou mais festejado do que o Natal ou o Dia de Ação de Graças em terras do Tio Sam.

Naquela noite de 4 de Julho, a bola, que corria no Pacaembu, não era apenas bola. Era Aa reencarnação de Princesa Isabel. Era Martin Luther King. Era Che Guevara. Era Mahathma Gandhi. Era Lampião. Era Dom Pedro I. Era a Liberdade, a Independência e a Abolição de um povo E, mais uma vez, a chama da liberdade não falhou. Por duas vezes.

Gol do Corinthians ! Gol do povo. E, minutos depois, Gol do Corinthians de novo.

Pronto. Liberdade concedida. Não havia mais volta, com direito a opressão e sofrimento. Destravem as amarras, libertem as correntes. A águia e o gavião se encontram num céu infinito que colore em preto e branco o cenário da história da antropologia.

Já o Espiritismo conta uma história um pouco diferente. Você, provavelmente deve ter ouvido falar alguma vez que, quando acontece alguma coisa especial, é alguém no andar de cima que está agindo espiritualmente, ou até estar presente naquele local ou momento realizando tal ato.

E essa tal história, pelo menos para os kardecistas, é mesmo verdade. O famoso “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec (não o do Santos, o da doutrina espírita mesmo) afirma isso. Se você foi bom para uma certa atividade em vida e contribuiu para ela, conforme o seu espírito evolui após desencarnar, você continua agindo naquilo que era especialista, na carne de quem ainda está vivo.

Ou seja, se você foi um pintor magnífico e faleceu, pode sim baixar na áurea de um pintor vivo fazendo com que o mesmo crie algo acima de suas expectativas e limites técnicos.

O grito preso de Liberdade, estava solto. Valeu. Doutor.

O grito preso de Liberdade, estava solto. Valeu. Doutor.

Pois bem. No tal dia 4 de Julho, lembramos exatamente sete meses da passagem de Doutor Sócrates para o Pantheon dos Imortais. Sócrates, como os senhores já sabem, nos deixou dia 4 de Dezembro de 2011, no mesmo dia em que o Corinthians se sagrava Campeão do Campeonato Brasileiro daquele mesmo ano.

Também não é novidade para vocês que Doutor Sócrates tinha como maior triunfo os passes de letra, usando o calcanhar indomável. Tão ou mais inteligente que o homônimo e nada contemporâneo grego, Sócrates era um primor, de frente ou de costas. E, no dia em que celebrávamos sua presença em espírito e em alma, Doutor resolveu jogar por nós. Literalmente.

Não era a primeira Libertação de Sócrates. Ao lado de grandes nomes da música, política, esporte e cultura, foi o grande cara do ato das Diretas Já, nos anos 80, impulsionado pela Democracia Corinthiana (que aliás, completa 30 anos neste meio de 2012), e resolvera fazer algo semelhante. Dava o grito inicial de libertação para o país. E queria fazer isso novamente, no Pacaembu.

Sem súmula, inscrição ou autorização da CONMEBOL, Sócrates vestia a sua Camisa 8 (também usada naquela noite por Paulinho) e entrava em campo. Sua presença parecia amedrontar os porteños, como acontecera na Copa de 1982. Diego Maradona, sentindo a presença de Doutor, sequer aparecera.

Don Diego já havia perdido pra Sócrates uma vez naquela Copa do Mundo da Espanha (com direito a expulsão ao agredir o meio-campo Batista), e pressentia que perderia outra para o alvinegro-brasileiro. Nem pintou no Pacaembu, como de costume nas finais boquenses no país. E, dentro de campo, não deu outra.

Sócrates, como um passe de mágica ou uma intervenção espírirta, baixa em Danilo, que com um calcanhar magistral, destrói a zaga do Boca e deixa Emerson Sheik na cara de Sosa para fazer o primeiro gol corinthiano.

Era humanamente e tecnicamente impossível Danilo fazer aquilo sozinho. Nunca havia feito. Nem em treino, nem em outro clube, nem em nada. Genial. Simplesmente genial.  Na súmula e nas ficahs técnicas, o passe foi do camisa 20, mas na verdade, foi do Camisa 8 da Democracia Corinthiana.

Já no segundo gol, Doutor resolveu lembrar o mesmo lance que fez pra cima do palmeirense Márcio, na semifinal do Paulistão de 1983. Márcio grudara em Doutor por 89 minutos. Não largava. Marcãção cerradíssima.

E assim, no único minuto em que o alviverde desgrudou, Doutor roubou a bola, avançou e guardou, eliminando o Palmeiras daquela semi. O Corinthians avançava para encarar (e vencer, novamente) o São Paulo na Final do Paulistão de 83. E mais uma vez, três décadas depois, a história se repete: Emerson, com a áurea de Doutor Sócrates, rouba a bola num passe de Schiavi, corre o campo inteiro com ela e faz o segundo.

E vocês querem me falar que espiritismo e  o sobrenatural não entra em campo, que tudo não passa de uma bobagem. Tá bom.

Não havia mais jeito, nem história. Antropológicamente, históricamente, espiritualmente e futebolísticamente, o Corinthians era o Campeão da Libertadores da América 2012. Pra delírio da Fiel, de seus atletas, comissão técnica, de Doutor Sócrates e de todos os personagens que ilustraram tal feito através dos séculos.

O Corinthians festejava algo que ninguém acreditava que um dia festejasse de verdade. A festa era alvinegra, mas o clima era de Abolição. Quase um Reveillón ou comemoração de Copa do Mundo. Ou até mais do que isso.

Axé, Fiel ! Teje solto, Corinthians.

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Uma resposta para O Espiritismo, a Independência e a Abolição

  1. Dia 4 de julho de 2012, o fim do mundo foi cancelado. E um técnico gaúcho no comando to time nessa conquista história e libertadora, tal qual o mestre Oswaldo Brandão, que lá do alto deve ter inspirado o Tite. Parabéns Corinthians e a todos os loucos do bando, agora, como diria o filósofo Zina: é rumo a Tóquio, hehe…

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