Em defesa do “Anti-Futebol”

Tite: primeiro posse de bola, depois definir a partida. Um novo ângulo de se ver o  "Anti-Futebol".

Tite: primeiro posse de bola, depois definir a partida. Um novo ângulo de se ver o “Anti-Futebol”.

Outro dia, um amigo torcedor da Ponte Preta veio me dizer uma parada, que confesso, torci o nariz para tal afirmação. Que o Corinthians só triunfava nos torneios porque praticava o Anti-Futebol, o jogo feio e retrancado. Afirmação, que por sinal, deve valer para vários outros clubes no país que provavelmente também atuam neste estilo de jogo.

Hoje, Tostão também disse que o alvinegro do Parque São Jorge não era um grande time como outros finalistas de Copa Libertadores da América, pelo seu Futebol Pragmático e de marcação em excesso, até certo ponto, sem talento. Também discordo, Fera de Ouro.

Em primeiro lugar, vamos desmistificar alguns significados. Você sabe o que é Anti-Futebol, na concepção real da palavra ? Ao meu ver, Anti-Futebol é o que muitas seleções africanas fazem em Copas do Mundo. Talvez por serem meio ingênuas ou maldosas, mas é preterir a tática e a técnica para optar pela correria sem propósito e descer o sarrafo. Bater sem precedentes.

Também, se unem ao Anti-Futebol práticas fora das quatro linhas, como cortar a luz do estádio, botar polícia local pra bater em jogador adversário, dirigente invadir gramado entre outras. Por sua vez, esta é uma prática muito comum em clubes do Nordeste. E que eu saiba, o Corinthians, nem o Palmeiras, nem o Grêmio, nem o Flamengo, nem qualquer outro clube com técnico mais pragmático, não compactue com nada disso.

Me perdoe se estou novamente voltando neste assunto, mas é o melhor exemplo para se valorizar um Futebol Pragmático: a Itália, de Enzo Bearzot em 1982, que parou o maravilhoso Brasil de Telê Santana com um esquema tático onde todos marcavam todos e três tinham funções especiais para surpreender o adversário.

Quando se opta por um futebol de posse de bola, você tem duas opções: marcar sob pressão no campo do adversário trocando bolas perto do gol ou forçar com que o adversário avance, se desgaste e fique vulnerável a contra-ataques tendo que ir buscar a bola no campo de defesa de quem está com a redonda. É exatamente o que Tite faz.

Na Argentina, chamam tal esquema de Menottismo (forçar o adversário ir buscar a bola no campo de defesa) e Bilardismo (marcar sobre pressão e ficar trocando bolas perto do gol adversário). Em breve falarei mais sobre isso no Blog.

Caros, isso não é Anti-Futebol ou Anti-Jogo, muito menos descaracteriza um grande scratch. Isso caracteriza sim, uma disciplina tática sem igual, onde todos marcam, todos passam, todos correm e todos lançam. Vide o texto sobre o Cubo Mágico (reveja lá no Search !). Isso sim é maravilhoso. Se descobrir uma maneira única de se jogar.

Saio em defesa da Itália de 82 e 2006, do Brasil de 2002, de N equipes Campeãs Brasileiras na era do Pontos Corridos, do Corinthians de Tite, do Palmeiras do Scolari e de demais escolas de posse de bola e estilo pragmático durante os tempos atuais e antigos de nosso esporte bretão.

Posse de bola e técnica com ela nos pés. O “Anti-Futebol” mais a favor que eu já vi.

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

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