Malandro é Malandro e Mané é Mané

Pros mais antigos, parece que foi ontem. Mas a data histórica está comemorando cinquenta anos neste dia 18 de Junho. Em 1962, em Santiago do Chile no glorioso Estádio Nacional (aquele mesmo, grandão, bonitão que a Universidad do Chile manda seus jogos atualmente), a Seleção Brasileira comandada por Mané Garrincha e Amarildo era Bicampeã da Copa do Mundo, ao vencer a Tchecoslováquia por 3×1.

Não, não era a melhor Seleção Brasileira da história (divido este posto entre 1970 e 1982) nem mesmo a mais aguerrida, mesmo com um futebol feio (fico com a de 1994), mas sem sombra de dúvidas, foi o Brasil que mais gingou, mais driblou. Ou seja, a seleção mais “malandra”, no bom sentido da palavra.

Sim, malandra. Não no quesito de ser sem vergonha, de tentar ganhar as coisas na ilegalidade ou no grito, mas malandra no swing, no estilo de se driblar e avançar com a bola pra cima da defesa. De tanto o driblar, transformar o marcador em “João”, como o próprio Mané Garrincha costumava chamar.

Um jeito de se sambar meio no sapatinho, como Elza Soares, a grande paixão de Mané Garrincha na época, gostava de fazer em seus sambas e fazia enorme sucesso. A diferença era que, nos gramados do Chile, os mestres sambavam com a bola. Era a vitória do jogo pelas pontas, desequilibrando a Copa.

Mauro, com a taça do Bi. Campeão na base da malandragem, no melhor sentido possível.

Mauro, com a taça do Bi. Campeão na base da malandragem, no melhor sentido possível.

Mas, voltemos a partida de 50 anos atrás. A Tchecoslováquia (que na época era um timaço, diga-se de passagem), surpreendeu e saiu na frente com Masopust, no começo do primeiro tempo, após uma enfiada de bola que parece ter sido feita com o botão triângulo do PlayStation jogando PES (risos).

A sensação de que os tchecoslovacos poderiam surpreender o Brasil e levar a Copa do Mundo (que lhes escapara nos anos 30, quando tropeçou contra a Itália de Vitório Pozzo em 1934) durou apenas 2 minutinhos. O craque Amarildo empatava a partida para o Brasil logo em seguida.

O jogo permaneceu amarrado até o meio pro fim do segundo tempo, com boas chances de gol e momentos de talento para ambos os lados, mas gol que é bom, nada. Bola balançando a rede, apenas aos 24 minutos do segundo tempo,  com o talentoso volante Zito, numa bola alçada, marcando de cabeça.

Gol ! 2×1 para o Brasil e delírio dos chilenos, que adotavam o scratch canarinho, que, sem Pelé, (contundido logo no comecinho da Copa e, por consequência, ficando fora dela), fascinados pelos dribles de Garrincha, adotavam os brasileiros para se torcer. A cena inusitada fica para a invasão de repórteres e fotógrafos ao campo, na celebração do gol de Zito.

Todo mundo pra fora, e o jogo seguia. Mais ou menos como se desenhava o estilo do Brasil. Na base do talento individual de Mané Garrincha, Vavá, Amarildo e cia. Mas os europeus resolveram voar pra cima do Brasil e complicaram o jogo, dando um certo trabalho pra zaga canarinho e para Gilmar.

E assim seguiu o jogo, até os 33 do segundo tempo, quando o goleiro tchecoslovaco falha, e, num cruzamento, Vavá faz o terceiro gol. Pronto. Agora sim podia começar o samba e os festejos Brasil afora. O Bicampeonato era questão de minutos para ser confirmado, como acabou sendo.

Apesar de não anotar nenhum gol naquela decisão, era a Copa de Garrincha. Que, por sinal, melhor representou o estilo de se jogar daquele Brasil naquele Mundial.  O capitão Mauro ergue a taça e coroa um scratch canarinho da malandragem. Que, antes mesmo de ser um Brasil de respeito, foi um Brasil do Brasil: swingado como seu povo.

Traduzindo em miúdos. Um Brasil onde Malandro é Malandro e Mané é Mané. E tudo isso já faz cinquenta anos.

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

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