Porque ?

Querido leitor que acompanha os posts do Blog EU, RADAMÉS Y PELÉ, responda rápido: se um clube é Campeão EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO, qual é a reação óbvia do Mundo do Futebol ?

Comemorar, claro. Seria a resposta mais provável e beira ao banal.

Pois acredite. No Brasil não é bem assim. Ontem, o Fluminense foi Campeão do Troféu Luiz Penido no Rio de Janeiro ao vencer o Volta Redonda por 2×1 e pasme, virou piada. Isso mesmo, o título do Fluzão virou gozação nas Redes Sociais por ser “Campeão do Troféu Luiz Penido”. Como se fosse demérito.

Eu confesso, de coração, que não consigo entender o critério do torcedor brasileiro. No Brasil se exige qualquer Campeonato como nenhum outro lugar, mas, quando ganha, vira chacota. Aqui é o único país do mundo que ser Campeão vira piada. E não é de hoje que esse pensamento ridículo nos transforma em capacho de europeu e espalha o complexo de vira-lata. Onde tudo é inferior que o que vem lá de fora.

Não são eles é que são perfeitos. É a nossa torcida (a brasileira) é que transforma tudo em imperfeito. Nossos esquadrões sempre são inferiores a gringos. Nossos títulos nunca chegam perto ao que os estrangeiros conquistam. Isso é ridículo, patético, uma inferioridade, um coitadismo de dar raiva.

No que o São Paulo de Telê é pior que o Barcelona do Guardiola ? O Flamengo de Zico não bateria frente a frente com o Milan de Papin e Van Basten ? O Corinthians de 99/2000 deve o que para o Real Madrid dos galácticos ? O Botafogo de Mané Garrincha é pior que o Manchester United de Rooney e cia ?  Porque o Cruzeiro de Tostão é horroroso perto do Boca Juniors de Bianchi dos anos 90/2000 ?

Pros brasileiros, muitas vezes sim. Quando a resposta, na realidade do Futebol é não. Pior é quando o assunto vira pra título. Se um clube brasileiro ganha o Cântara Portugalia, é patético. Se um Europeu ganha o Cântara Portugalia, merece digitalizar as imagens antigas e fazer um Box.

Quando um clube brazuca fatura um Ramón de Carranza ou um Teresa Herrera, vira emoticon, meme de piada. Quando um clube estrangeiro fatura um Ramón de Carranza ou um Teresa Herrera, vira carreata e vai para a prateleira principal dos Museus dos clubes.

Estive recentemente no museu do Boca Juniors. Pra se ter uma idéia, ali os títulos de Libertadores estão no mesmo patamar de Torneios argentinos como o Apertura e  o Clasura. Mas, se é no Brasil, colocar um estadual ao lado de um Mundial ou Libertadores, nem pensar. É patético.

É patético o seu nariz, cara-pálida !

Um título intercontinental de 1940, independente de quem jogou, porque jogou e aonde jogou, tem o mesmo valor de um intercontinental de 2012, goste as torcidas, imprensa e diretorias ou não. Títulos internacionais antes dos anos 70 são ridicularizados pela mediocridade do brasileiro e dos dirigentes de seus clubes.

Respeite quem lutou, suou, sorriu, sofreu e vibrou com cada campeonato de sua época. Cada torcedor, cada jogador. Cada gol, cada carrinho e cada defesa. Reconhecer Campeonatos de outrora e valorizá-los como os atuais só é patético nesse lixo de mentalidade brasileira. No exterior, isso é digno de virar estátua. Se num Milan, por exemplo, os historiadores descobrem um título internacional há noventa anos, é capaz do craque da conquista virar nome de praça.

Matéria sobre o Corinthians, Campeão Sul-Americano de 1956 contra o Boca Juniors. Mas 95% da Fiel ainda não sabe disso.

Matéria sobre o Corinthians, Campeão Sul-Americano de 1956 contra o Boca Juniors. Mas 95% da Fiel ainda não sabe disso.

Palmas, muitas palmas para os Dirigentes do Vasco da Gama que bateram o pé na CONMEBOL em 1998 e fizeram o título do Sul-Americano de 1948 ser reconhecido por A, por B ou por C. É o certo, caramba. O Vasco da Gama é sim, Campeão Sul-Americano. E acabou. O resto é chiadeira de rival.

Assim como o Corinthians, que também venceu o MESMO TORNEIO SUL-AMERICANO, OFICIALIZADO PELAS CONFEDERAÇÕES em 1956, (já com o nome de Taça do Atlântico por causa do homônimo troféu de seleções) contra o Boca Juniors,  mas infelizmente seus dirigentes, diferente do pessoal cruzmaltino, não corre atrás do devido reconhecimento. Deveria.

O problema é quando querem transformar torneio X em torneio XXX. Daí não. O que defendemos não é fazer um torneio que era X, passar a valer três X. O que defendemos é o RECONHECIMENTO E O DESTAQUE MERECIDO, colocando conquistas dos anos 30 e 40 no mesmo patamar de conquistas dos anos 90 e 2000. Ponto.  Título não é Pikachu pra evoluir e virar algo maior.

Fica o nosso puxão de orelha para clubes, torcedores e imprensa. Parem de tratar os clubes brasileiros como coitadinhos. Parem de desvalorizar títulos, independente de qual, como ou contra quem seja. Como algo inferior perto de estrangeiro, porque a realidade é beeeeeeem diferente. E diferente, a favor dos brazucas.

Os clubes brasileiros são tão vitoriosos quanto os europeus e demais sul-americanos. Resta os próprios clubes saberem disso.

Grande abraço !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

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2 respostas para Porque ?

  1. Excelente post, Butti. Parabéns.

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