Pronto, voy a regressar ! Reflexões Porteñas

Salve rapazeada ! Voltamos ao Blog EU, RADAMÉS Y PELÉ após uma semana na Argentina vivendo como “YO, GARDEL Y MARADONA” (risos). E, conforme prometido, trazemos as reflexões que por lá vimos sobre Futebol e Música e a Filosofia de Botequim. E o que foi visto pelas terras do Tango e de Don Diego Maradona, foi relativamente surpreendente.

Aliás, desde já agradeço a audiência nestes dias sem divulgação. A mesma não caiu. A média se manteve bem interessante =D

Neste primeiro Post, farei um apanhado geral, e durante a semana, algumas pinceladas sobre o assunto Futebol Argentino (até porque, temos até clube brasileiro caindo com clube argentino na Libertadores nas Oitavas)

Sim, no fim das contas, fui aos 2 jogos. Estive no Vélez Sarsfield 1×3 Defensor (Uruguai) no José Amalfitani e no Boca Juniors 2×0 Zamora (Venezuela). Porém, foi duro conseguir ingresso pros 2 jogos, embora o primeiro esteja meio vazio. O esquema pra associados dos clubes é bastante forte, e para não sócios, só se vendia nas sedes dos clubes, que eram bastante longe do Centro, onde fiquei.

A solução ? Pacote de excursão do Hotel. Caríssimos, mas experiência única.

A torcida do Vélez Sarsfield, no José Amalfitani na foto do grande Gabriel Uchida. Note como a arquibancada é inclinada chegando próxima ao gol como na Arena Barueri.

A torcida do Vélez Sarsfield, no José Amalfitani na foto do grande Gabriel Uchida. Note como a arquibancada é inclinada chegando próxima ao gol como na Arena Barueri.

VÉLEZ SARSFIELD

Uma frase para definir o estádio José Amalfitani (o famoso Él Fortín), do Vélez ? É uma Arena Barueri grande e com alma. Sua estética, sua visão e sua arquitetura de um declive acentuado atrás dos gols se assemelha MUITO a recém-inaugurada Arena Barueri na Grande São Paulo. A diferença é que o Barueri e seu estádio (com pouco mais de cinco anos) não possuem alma alguma enquanto o Vélez tem mais de 100 anos de história e seu estádio, indo pra 50) , e o Amalfitani é um pouco maior (35.000 pessoas contra 49.000 pessoas).

Localizado num lugar extremamente longe pra cacete (bairro de Liniers) e aparentemente meio perigoso por ser isolado, talvez isso afaste um pouco a torcida do Vélez Sarsfield de partidas não-decisivas, como a de terça. Para se chegar do Centro e demais bairros de Buenos Aires até Liniers, para se ter uma idéia, é preciso pagar Pedágio. Porém, os poucos que ali vão, cantam pra cacete. É uma torcida que, claramente “não se importa” se o jogo está 3×0 pro Vélez ou 3×0 para o adversário.

Ficamos numa espécie de Cadeira VIP inferior, e entramos com uma espécie de cartão de Sócio Torcedor, devolvido ao final da partida. A visão é excelente. Mas a torcida daquele local só levantava em lances de perigo, diferente das hinchas.

Enquanto a festa da pequena torcida naquela noite me surpreendeu positivamente, o time do Vélez Sarsfield, confesso que esperava mais. É um time que, quando tem a posse de bola, não sabe lá muito o que fazer com ela. Pra fazer um gol, seu negócio é ficar cruzando a mesma pra ver se acha um gol de cabeça ou de rebote, ou ficar circulando com ela próximo a área pra cavar pênalti ou falta. Chute pro gol, são poucos. Falta objetividade.

Seus jogadores de frente, é verdade, são bastante habilidosos e podem decidir num lance individual apesar da falta de objetividade, mas na parte de trás, é só chutão. Pra se ter uma idéia, o melhorzinho ali no sistema defensivo é o mediano Sebastian Dominguez, o Sebá (ele mesmo, o ex-Corinthians de 2005).

O Vélez, desligado na partida, perdeu para os uruguaios do Defensor por 3×1, que por pouco não se classificaram. Dependiam de outros resultados, que não vieram. Jogaram como se jogassem por um prato de comida. Time esforçadíssimo e osso duro de roer. Mas ficou pelo caminho. Não era habilidoso, mas era chato.

Minha previsão pro Vélez Sarsfield na Libertadores ? Entre Quartas de Final e Semi-Final. A coisa vai engrossar decidindo lá e o Amalfitani realmente lotado. É acertar objetividade e o Vélez pula de mediano a favorito. A linha é bem tênue entre o fracasso e o sucesso.

Ah, uma curiosidade sobre o Amalfitani ? Tem Placar Eletrônico, mas o mesmo NÃO MOSTRA quanto tá o jogo em momento algum. Fica apenas passando vídeos do Vélez e pequenos vídeos de patrocinadores do estádio e do clube. Se você chegar no meio do jogo num setor vazio, pode ficar sem saber quanto está a partida.

A torcida do Boca Juniors, em La Bombonera. O estádio faz mais diferença do que a torcida.

A torcida do Boca Juniors, em La Bombonera. O estádio faz mais diferença do que a torcida.

BOCA JUNIORS  

Na partida entre os Xeneizes e os venezuelanos do Zamora, ficamos, por uma obra do acaso (a excursão previa outro lugar, maaaaas…) em um dos lugares mais cobiçados pelos fãs de Futebol: atrás do gol do placar, em cima de um dos núcleos da La 12 (que se encontra dividida entre a galera do Di Zeo e os que foram pro outro lado). Além da festa e do estádio lotado, o que chama a atenção em La Bombonera é a arquitetura da parada.

Esqueça qualquer arquibancada de Arena, Estádio ou Templo do Futebol que você já viu jogo de Futebol em sua vida. Não dizendo se a Bombonera é melhor ou pior. Mas é algo que dificilmente você verá o que se vê lá em outro estádio. Parece que você está vendo a partida de um helicóptero ou de uma varanda de um prédio. Quase uma visão de câmera por cima. Se é bom ? Se é ruim ? Só fazendo a experiência.

Eu gostei. Mas ACHO que torcedor brasileiro não ia gostar muito não.

Localizada no famoso Bairro de La Boca, próximo do também turístico Caminito (onde há as casinhas coloridas), a Bombonera, com seu tamanho atípico é outro estádio bastante longe do Centro da cidade, não tanto quanro Liniers, mas é uma bela caminhada. Pra alguns, o local assusta. Embora eu não achei tanto problema como pintaram não.

O estádio, senhores, gigantão e imponente ganha jogo. Não é a torcida do Boca Juniors ou a de qualquer clube que seja. É o local. Se colocar o San Lorenzo, por exemplo, mandando jogo lá contra outro time menor da Argentina, será foda do mesmo jeito.  E como aquela parada balança. Experiência inesquecível. É duro de subir, pois há inúmeras escadas e o negócio cansa, mas vale a pena.

Nos primeiros minutos quando for sua primeira vez no estádio neste setor mais alto, conforme o estilo da pessoa, é possível que ela sinta algo como tontura, vertigem ou medo de cair (sem sacanagem). Mas logo passa. Eu brinco que, em uns 6, 8 jogos na Bombonera, na arquibancada superior cura qualquer problema psicológico de vertigem, rs. É um estádio-psiquiatra (risos).

Quanto ao time do Boca Juniors, mesmo com a vitória contra o Zamora,  pior time da Libertadores (que, por sinal não fez um gol sequer no torneio), acredito que seja inferior ao Vélez Sarsfield. Só que a porra da Bombonera o transforma num timaço. Maquia as falhas da equipe porque a acústica e a geometria das arquibancadas ganham jogo.

Quem decide no Boca, como acontece há uns 10, 12 anos é Juan Román Riquelme. Mesmo com quase 40 anos, o camisa 10 da equipe de Bombonera é um Maestro. Parece ter 20 anos. O tempo não passa pra ele, e pode deixar a qualquer momento os atacantes do Boca na cara do gol, quando você menos espera. Daí, meu amigo, um abraço.

A minha previsão pro Boca na Liberta 2012 ? Nas Quartas de Final da Libertadores, se o Boca passar do mediano Unión Española do Chile, irá pegar Internacional ou Fluminense. Conforme for o confronto brazuca (se for muito esgotante, precisar de Pênaltis, as equipes perderem jogadores importantes), periga bastante o Boca Juniors passar para a Semi-Final. Não é nada fácil ter que jogar lá, embora o Flu tenha tirado de letra este aspecto nos últimos confrontos na Bombonera. Mas, Boca é Boca, né.

Uma curiosidade de La Bombonera ? O placar tem um cronômetro em ordem crescente, nos 2 tempos do jogo, e outro em ordem DECRESCENTE no intervalo, mostrando quanto tempo falta pro intervalo acabar. Apesar de novamente permitido pela FIFA, o tempo de jogo no placar eletrônico é um artifício pouco usado no Brasil.

Na Bombonera, também há outra atração bastante interessante para dias sem jogos: o Museo de La Pasión Boquense, onde também estive. Lá, além de um tour pelo estádio e suas dependências, é possível tirar fotos “com ídolos” (você tira uma foto e 2 atletas da história do Boca ou do Futebol são “colocados” em sua foto no Photoshop, beirando a perfeição de uma foto real), ir ao gramado e tirar fotos com a bandeira de seu clube (sim, eles possuem inúmeras bandeiras, as mais variadas possíveis).

Se quiser, pode até pisar na bandeira do rival na foto, algo bastante comum por lá. Tirei uma segurando a do meu Corinthians, mas por respeito aos demais torcedores, não pisei em nada, de clube algum. Não gosto de tal prática. Os jogadores escolhidos pra minha foto ? Diego Maradona e Carlitos Tévez. Fazendo estas fotos, você ganha um chaveirinho com um pedaço da grama da Bombonera.

E, é claro, gastar alguns bons porém bem investidos pesos argentinos em produtos do Boca. Trouxe um Box com 4 DVDs com a História do Boca Juniors. Paguei caro (220 pesos), mas vale a pena. Numa loja a frente do estádio, já no Caminito, comprei um CD com as canções da La 12. São 47 músicas ao preço de 20 pesos e é bastante divertido.

Porém, a maior curiosidade dos estádios argentinos: exceto para árbitros e jogadores dentro do campo, não há polícia ! Se o pau quebrar, a torcida que se entenda.

PRODUTOS DOS CLUBES ARGENTINOS

Infelizmente, pela constante crise financeira e instabilidade de sua moeda que a Argentina não pára de sofrer desde 1982, consequência da dura derrota para os britânicos nas Malvinas que completa 30 anos em 2012, e agora impulsionado pelo excesso de turistas brasileiros e de demais países que consomem bastante (Lei da oferta e da procura), os preços das coisas estão extremamente altos. Altos, que eu digo, é acima do aceitável. E isso, acaba respingando nos produtos dos clubes argentinos.

Acima do aceitável: Algo que, pra quem tem de 30 a 45 anos, pra se comparar a época do Sarney, em 1986 a 1989 aqui no Brasil. Inflacionados. Mais ou menos como uma camisa da Seleção Brasileira ou Seleção Argentina custar 120 reais, e lá (transferindo de Pesos Argentinos pra Reais), uns 350.

Para se ter uma idéia de preços off-Futebol, um jantar para quatro pessoas num Restaurante bacana, deve bater perto da casa de 1000 pesos, e uma corrida de taxi numa distância de 5 a 10 km, coisa de quase 100 pesos.

Exceto se você queira MUITO trazer algumas camisas, vai gastar algo bem absurdo, quando fizer as contas pra Reais. Não é possível trazer muitas camisas pelo alto preço. Pesquisei uma camisa do Racing Club de Avellaneda (a qual estava louco por uma, e para presentear uma pessoa) e chegaram a me oferecer preços, pasme, na casa de 380 a 400 pesos, o que equivale mais ou menos a quase 200, 230 reais. E isso, sem saber se era pirata ou atual.

Camisas piratas (aquelas que dão mais na cara) do Boca ou da Seleção Argentina (veja bem, piratas), dificilmente pagará algo abaixo de 80 a 120 pesos. Os cachecóis, variam de 55 pesos a 85 pesos cada um. Um chaveirinho dos clubes, 10 a 20 pesos. No José Amalfitani, fui tomar uma Coca-Cola de 300 ml e paguei absurdos 15 pesos cada. Na Bombonera, trouxe uma bandeira do Boca e paguei 70 pesos.

CLUBES BRASILEIROS

Se há algo que me surpreendeu em Buenos Aires é a presença maciça de itens de clubes brasileiros. Até de clubes menos cotados, como o Santa Cruz ou o Figueirense, é possível encontrar nas lojas. Do contrário que alguns possam pensar, os argentinos sabem muito bem sobre os clubes brasileiros, quem são seus rivais, de que cidades são, como estão e até alguns cânticos de suas torcidas organizadas.

Talvez pelas figuras de Carlitos Tévez, Javier Mascherano e Dario Conca e pelos sucessos nos últimos anos, Corinthians e Fluminense são, disparados os clubes brasileiros mais conhecidos da Argentina. Em restaurantes, bares, ruas e estádios, é possível ouvir torcedores dos clubes argentinos cantando músicas das torcidas corinthianas e tricolores. Internacional, Santos e Flamengo também dão as caras de forma maciça por lá, mas abaixo das equipes de Parque São Jorge e Laranjeiras.

No bar do Amalfitani, por exemplo, quando o vendedor perguntou de que parte do Brasil eu era ao perceber meu sotaque e minha câmera na mão (risos) e eu respondi SP, no ato o mesmo disse: “Ah, hincha de Corinthians !”. Sem eu sequer dizer alguma coisa a ele antes, de confirmar minha preferência clubística.

Aliás, andar com a camisa corinthiana pelo bairro de La Boca é um convite a ser bem tratado. Fui com a minha no Tour e confesso que fiquei surpreso e impressionado. E olha que no Tour havia gente com camisas de Botafogo, Sport, Flamengo, Fluminense e Santos. A única música cantada pelo guia foi o Bando de Louco.

DEMAIS CLUBES ARGENTINOS

Apesar de seguir seu calvário na Segundona Porteña, se vê MUITA camisa do River Plate nas ruas, e adereços em taxis, bares ou estabelecimentos. São muitos e numerosos, embora menos que os do Boca Juniors. Já Racing Club e Independiente, embora bastante respeitados pelos seus triunfos e torcidas, é mais concentrado em Avellaneda. Não se vê muito nas ruas.

O mesmo ocorre com clubes grandes de outras localidades ou fora da Região Central de Buenos Aires. O Estudiantes de La Plata, o Argentinos Juniors, o Rosário Central e o Newell’s Old Boys, por exemplo: pouca camisa em Buenos Aires.  Já do Vélez Sarsfield, dá as caras com frequência.

A grata surpresa ficou por conta do Lanús. Apesar de ser um clube de pouca torcida perto dos gigantes e de uma cidade fora de Buenos Aires, a torcida do Granate (como é conhecido o Lanús) está confiante com a classificação para as Oitavas da Liberta. Muita camisa grená nas ruas argentinas.

O Lanús, que eliminou o Flamengo, agora encara outro clube do Rio de Janeiro: o Vasco da Gama.  E, se o clube da cidade natal de Diego Armando Maradona eliminar a equipe cruzmaltina, pode encarar outro brasileiro nas Quartas: pega o vencedor de Emelec x Corinthians.

Mas, em matéria de empolgação, nada supera a Seleção Argentina de Futebol. Materiais em alusão a seleção são roupa casual por ali. Além do Futebol, também é muito fácil ver camisas do Basquete e do Rúgbi argentino (seleção argentina). Estão muito animados com a Seleção Argentina de Basquete para a Olimpíada de 2012 em Londres, com Ginóbili e Scola no comando.

LITERATURA DO FUTEBOL ARGENTINO

Assim como acontece com a maioria dos produtos e serviços na Argentina, a literatura do Futebol Porteño também é bastante cara. Mas, vale o investimento. Livros riquíssimos em dados, histórias e biografias podem ser encontrados nas inúmeras livrarias da cidade. Principalmente na El Ateneo, que é ponto turístico imperdível pra quem vai até Buenos Aires.

Como sou fã de literatura, trouxe um para mim, que é este aqui:

Academia, Carajo !

Academia, Carajo !

O “Academia, Carajo!” do jornalista Alejandro Wall aborda os bastidores do título do Apertura, que o Racing venceu em 2001, que não vinha há quase quatro décadas, e aconteceu exatamente no período de ebulição argentina, quando o país teve o panelaço e cinco presidentes em duas semanas. Uma aula de Futebol e Política.

A propósito, o casamento Política-Futebol por lá, é algo fascinante. Os torcedores se engajam a qualquer causa política, por menor que seja.  E tudo isso vira literatura.

Também encontrei o livro da biografia do técnico Marcelo Bielsa, e livros de dados de Boca, de River Plate, de Maradona, de Messi, da História Amadora do Racing e da Seleção Argentina. Mas não trouxe, pelo alto preço. =(

A CULTURA DO “TER” X “SER”

No Brasil, a gente, há décadas vê os clubes mostrando que tem X títulos de torneio A, B ou C pra “discutir” com torcedor rival. Expõe duzentas taças, bandejas, prêmios, títulos pra dizer que é maior que o outro clube. Na Argentina, não.

Enquanto aqui, a gente vive a cultura do “Ter” (possuir mais título que o rival), lá se valoriza muito a cultura do “Ser”. Por exemplo: Pro Boca Juniors, não interessa se ele possui 6 Libertadores e o River apenas 2.

O que interessa é que o Boca é o “papá” da disputa do SuperClássico, ser o grande vencedor fora de campo, ser maior que o River mesmo o River tendo mais caneco no país.  O Boca se transforma em maior e pronto. Não interessa se outro clube tem mais título que ele.

Se um clube cria um Museu fodão, seu rival cria um fodão e meio. Se um clube lota um estádio numa data e horário complicado, seu rival vai e lota dois ao mesmo tempo. É muito comum clubes se provocarem com estrutura, outdoors e até engajamento político (se gabar por fazer parte do movimento político argentino). Taça ali é meio segundo plano. Negócio é ser maior que o rival no âmbito geral. Taça só passa a ser válida se o rival também tem.

Tanto que, no Museo do Boca, há apenas umas 20 taças expostas. Pra eles, não importa se tem 2.000 taças ou 10.000 taças em outro local fora de visitação. O que importa é ser maior que o River Plate. Mais famoso. Mais clube.

E se você é corinthiano, são paulino ou colorado, parabéns. São os únicosclubes das Américas a serem Campeões do Mundo. Pelo menos para clubes argentinos.

Porque, eles literalmente NÃO SE CONSIDERAM Campeões Mundiais. Seja em livros, inscrições no estádio, em dados ou nos museus. Nas taças do Boca do assunto, por exemplo, apenas a inscrição INTERCONTINENTAL ANO XXXX. Mais nada.  No José Amalfitani do Vélez Sarsfield, uma inscrição gigante CAMPEÓN INTERCONTINENTAL 1994. Mais nada. Nenhuma alusão a FIFA, a Mundial ou derivados. No cachecol do Racing, a mesma coisa. Nem clube e nem torcida.

A MUSICALIDADE DO FUTEBOL PORTEÑO

Charangas, hinchas e sons de sopro são comuns nos estádios.  Fazem a trilhasonora dos clubes. Presentes recentemente no Beira-Rio e no Olímpico aqui no Brasil, o estilo Argentino de se cantar é bem diferente do Brasileiro, seja nos estádios ou no dia a dia. A música popular argentina é mais melódica, enquanto aqui é a cultura do grito, da voz. Lá se valoriza muito o instrumento.

Basta ver a diferença por exemplo, do Tango e do Samba-Enredo. Ambos contam uma história. Mas o Tango a conta tocando, e o samba-enredo, cantando. É muito comum se ouvir Tango nas esquinas. E, conforme o lugar, até a famosa Cumbia, popularizada no Brasil por Carlitos Tévez.

A POLÍTICA E O FUTEBOL

Todos nós podemos perceber que a Argentina, nos últimos dias, está em polvorosa com a reação inesperada de Cristina Kirchner em relação a petrolífera YPF. Também podemos perceber que o legado de Nestor e Cristina é exatamente o oposto do Peronismo. E não é que isso refletiu em algumas hinchas ?

Sim, é possível encontrar em alguns estabelecimentos posters de figuras políticas usando materiais de clubes. E, de figuras completamente opostas usando o material de um clube rival.

Ou seja, não são todos, mas existem torcedores de clube X que assumem posição política por conta do time do coração da figura política. E vice-versa. É mais ou menos como, se aqui em São Paulo, a gente visse uma loja com artigos do Corinthians ao lado de materiais do PT com fotos do Lula, ou uma cantina italiana do Palmeiras com um pôster do palmeirense e tucano José Serra.

A mobilização das torcidas é muito forte. Por qualquer coisa, eles vestem suas roupas de sua opção partidária e vão as ruas, pra apoiar ou protestar lado X ou Y. E o Futebol acaba entrando na dança. O que é algo sensacional, quando o Futebol vira braço político de alguma coisa. Pequenas facções dos clubes vão as ruas diariamente lutar por Bancários, por Petrolíferas, por Estatização e demais questões políticas.

Na ida ao Amalfitani, por exemplo, uma facção anti-Kirchner literalmente parou o trânsito próximo ao Obelisco, com sinal aberto. Todos param e fazem uma manifestação simbólica, o que causa caos no trânsito. Algumas destas facções, usam materiais de hinchas.

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Enfim, aí estão as impressões sobre a Argentina e seu Futebol. O Blog voltou ! Nos próximos dias, voltaremos a abordar o Futebol Brasileiro. Mas é bastante válido uma comparação dos dois cenários, argentino e brasileiro. E aí, qual você prefere ?

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

 

 

 

 

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4 respostas para Pronto, voy a regressar ! Reflexões Porteñas

  1. elsonSCCP disse:

    Com certeza prefiro futebol argentino,se não fosse o Corinthians aqui eu queria estar só lá,amo demais esse País tupiniquim e tenho um carinho enorme pela Argentina. Nunca fui,mas leio muito sobre e pra mim Dom Diego Armando Maradona é o maior!
    Muito bom o post Luis parabéns! Tinha que ter trago uma bandeira da La 12 mano!

  2. Samuel disse:

    River pode pegar San Lorenzo en la Promoción, 😦 . NOSOSTROS NO SOMOS BOCA NI RIVER PLATE! DALE EL CICLÓN!
    Acho que o San Lorenzo não caí, porque tem como ficar na frente de dois times pequenos na Argentina. No entanto, o clube está numa crise danada, inclusive, cogita-se o retorno ao estádio antigo que não fica em zona barra pesada. Ou seja, a volta à região do orgulho porteño.
    Reportagem muito boa, parabéns!

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