O Camisa 1 do Esquadrão Nº 1 ou Histórias de Waldir

Caros amigos do Blog EU, RADAMÉS Y PELÉ, é o seguinte. Alguns minutos atrás, eu fui presenteado com uma info valiosíssima, de que o goleiro da melhor Seleção Brasileira de todos os tempos vai ganhar uma espécie de Biografia escrita por ele mesmo. E é claro que tal informação e um “prefácio digital e por minha conta” não poderiam faltar: Waldir Peres, o Camisa 1 de 1982. O nome do livro ? “Histórias de Waldir”.

Atuando em três times do estado de SP, São Paulo, Guarani, Corinthians e Ponte Preta, o arqueiro do time Canarinho de Telê Santana se destacou mesmo foi no Tricolor do Morumbi. Campeão Paulista de 1975 pelo São Paulo, contra a Portuguesa de Desportos, o Caneco só veio nos Pênaltis: Waldir defendeu duas cobranças: de Dicá e Tatá, enquanto Wilsinho, por sua vez, chutara pra fora. Ainda não era o bastante para o arqueiro.

Dois anos depois, Waldir Peres era Campeão Brasileiro de 1977, também pelo São Paulo, na igualmente heróica decisão por Pênaltis contra o Atlético Mineiro em pleno Mineirão. Waldir não pegou pênalti algum. Afinal, não precisou. Márcio, Joãozinho Paulista e seu parceiro de Seleção Brasileira em 1982, Toninho Cerezo, chutaram para fora os pênaltis atleticanos. O São Paulo era Campeão Nacional pela primeira vez.

No ano seguinte, por pouco, não pinta mais um caneco para o Tricolor. A decisão do Paulistão era contra o Santos de Pita, Clodoaldo e Ailton Lira, (a chamada primeira geração dos Meninos da Vila) contra o São Paulo do falecido volante Chicão, de Getúlio e, é claro, de Waldir Peres.

O primeiro jogo, vitória do Santos por 2×1. No segundo, 1×1. E no terceiro, 2×0 para o Tricolor Paulista. Pelo Regulamento, o jogo iria para a Prorrogação. Não deu para o Tricolor. Com o 0x0, o Santos era Campeão Paulista, mesmo com um saldo inferior na Final e um Regulamento estapafúrdio, mas Waldir Peres já fazia bonito, pouco depois do Brasileirão conquistado.

Sinal de sucesso pessoal ? Talvez. Na Final do Brasileiro de 1981, vencida pelo Grêmio, Waldir Peres não levantou a taça, mas defendeu um pênalti de Baltazar, o chamado “Artilheiro de Deus” no primeiro jogo. No segundo jogo, 1×0 para o Grêmio e o título do Brasileirão 1981 ficou com o time gaúcho. Não deu para o Tricolor, mas deu para Waldir.

O time-base do São Paulo de 1978, Campeão Paulista.

O time-base do São Paulo de 1978, Vice-Campeão Paulista. Bateu na trave, mas Waldir fez bonito.

Quatro anos depois, curiosamente, quando foi para o Esquadrão da fatídica Copa de 1982, foi justamente o período mais contestado de sua carreira. Não era o goleiro favorito do povo brasileiro. Alguns clamavam por Raul, no Flamengo. Outros, por Emerson Leão, no Grêmio. Mas, o goleiro de Telê, era mesmo o vitorioso porém contestado Waldir Peres.

E como o resto é (triste) história, a Seleção Brasileira voltou pra casa no 3×2 para a Itália nas Quartas de Final.

Porém,  se há até hoje quem culpe Cerezo pelo fatídico passe errado interceptado no ataque italiano e desencadeando no segundo gol de Paolo Rossi, também existam torcedores que culpam Waldir Peres pela derrota naquela partida.

Pra alguns, ele havia falhado em lances cruciais da partida, principalmente no terceiro gol italiano, onde o Brasil, mesmo contando com nove atletas na grande área, exceto Éder, que estava na intermediária pra pegar um contra-ataque que, infelizmente não veio, Waldir não conseguiu organizar a defesa e levou o gol da vitória italiana, meio num contra-pé, uma bola que sobrou do nada e era, digamos, pelo menos “espalmável”. A qual, com muitas lágrimas nos olhos, tenho que concordar com os saudosistas corneteiros de 1982.

Depois da Copa de 1982, Waldir ainda jogou no Guarani, na Ponte Preta e no meu Corinthians (além de outros clubes fora do Futebol Paulista), mas sem o brilho que obteve no São Paulo na década anterior.

A tensa batalha do Mineirão em 1977. Waldir Peres, mais uma vez sai vencedor.

A tensa batalha do Mineirão em 1977. Waldir Peres, mais uma vez sai vencedor.

Em 1994, estrelou um engraçadíssimo comercial da Kaiser (no tempo que era uma Grande Cerveja, de verdade), ao lado do personagem Baixinho da Kaiser, onde Waldir Peres, jogando um Futebol de Areia, leva um gol bobo por prestar mais atenção na cerveja do que nas bolas que chegavam a sua meta.

Sua história certamente é maior do que suas conquistas. Mesmo a maior delas, que não veio, a Copa do Mundo de 1982, Waldir Peres é, na minha opinião, o melhor goleiro que o São Paulo Futebol Clube já teve em toda a sua história. Sim, pro meu gosto, ele está acima de Poy, Zetti e Rogério Ceni.

No mais, aguardemos o livro. A história viva do São Paulo e da Seleção Brasileira que encantou mas não levou a taça, começa por ali, no número 1 do esquadrão Nº 1 da história do scratch canarinho.

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

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Uma resposta para O Camisa 1 do Esquadrão Nº 1 ou Histórias de Waldir

  1. João Domingos disse:

    Parabéns pela matéria, também sou fã do Waldir, mas queria dar uma opinnião a respeito do terceiro gol da Itália:pra mim Paolo Rossi errou o chute, na foto por trás do gol deste lance, dá pra ver que os pés de Rossi estão voltados pro lado esquerdo e a bola vai pro outro lado,enganando Waldir.Além do mais, foi cara a cara e gol cara a cara eu nunca culpo o goleiro.

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