E bate a saudade ! Geografia 3×0 Futebol

Esta semana me bateu uma saudade de uma parada que, infelizmente a gente nunca mais vai ver. Separados por uma porrada de razões que não nos vem ao caso, e vitimados pela nova Geografia Internacional, o fato é que o Planeta Bola, em especial a EuroCopa e a Copa do Mundo perderam nas últimas décadas, três seleções importantíssimas.

Iugoslávia, Tchecoslováquia e União Soviética. Três puta seleções, com craques lendários que acabaram, pois seus países se separaram em 2, 3, 5, 6, várias partes. E daí foi um pedaço do DNA da Bola pra cada lugar. Você pode até me dizer: “ah, mas apareceram países com scratchs ótimos também”. Não, não apareceram. Nenhuma dessas novas aí se comparam a estas três, que por muito pouco não entraram pro rol das Gigantes que citamos no Post do BRIC semana passada.

A primeira revelou N craques, como Prosinecki, Mihajlovic, Stankovic, Savicevic e Suker (que, apesar de disputar a Copa de 1990, só foi despontar na Croácia em 1998, quando foi artilheiro), o mais conhecido, apesar de não despontar muito na seleção foi Dejan Petkovic, ídolo eterno de Vitória (anos 90) e Flamengo (anos 2000).

Já a seleção da Iugoslávia, além do Ouro Olímpico de 1960, se destacou em três Copas: em 1930 e 1962,  quando foi semi-finalista, e em 1990, quando caiu nas Quartas de Final nos Pênaltis, mas assustou a então Campeã de 1986, Argentina, quando o goleiro Ivkovic defendeu um pênalti de Diego Maradona na decisão.  A Argentina passou, mas o bom futebol da geração da Iugoslávia em 1990/1991 refletiu nos clubes. Em 1991, o Estrela Vermelha era Campeão Europeu e, depois Intercontinental contra o Colo-Colo em Tokyo.

Aliás, a geracão do começo dos 90 já era preparada em vários outros anos. Era Campeã Mundial Sub-20 em 1987. A seleção da Iugoslávia em outras gerações também chegou perto do caneco na EuroCopa sendo vice-campeã em 1960 e 1968, e conseguiu diversas medalhas olímpicas no Futebol. Por várias vezes, perturbou o Brasil em amistosos ou torneios oficiais. Seu último lampejo foi na Copa de 1998, já meio dividida em outras seleções como a Croácia, que foi bem melhor que a própria Iugoslávia.

Já a Tchecoslováquia chegou um pouco mais longe que a “vizinha” do Leste Europeu: foi vice-campeã em 1934, quando perdeu para a Itália, e em 1962, perdendo para o Brasil Bicampeão com Garrincha e Amarildo no auge, no Chile. Porém o seu maior momento não foi em Copas do Mundo, e sim na EuroCopa de 1976 com Jurkemic e Panenka, quando foi Campeã, varrendo o Carrossel Holandês na Semi e a Alemanha Ocidental (que curiosamente, na época, também era dividida), Campeã do Mundo de 1974 na grande Final.

Você pode conferir o jogo NA ÍNTEGRA entre Tchecoslováquia 2×2 Alemanha Ocidental, com vitória tcheca nos Pênaltis na Final da EuroCopa de 1976 aqui (diferente dos demais  vídeos do Blog, o detentor deste vídeo impediu o embed. Mas, para vê-lo, basta clicar que ele abre).

Já na Copa do Mundo de 1990, a Tchecoslováquia cruzou com a Alemanha outra vez, agora nas Quartas de Final. Mas, desta vez, caiu pros alemães com o placar de 1×0. Mas, a Tchecoslováquia escreveu seu nome no torneio tendo o vice-artilheiro dele: Thomas Skuhravy, com cinco gols, um a menos que o italiano Totó Schillaci, que foi o goleador da Copa de 90.

A Tchecoslováquia, em 1970, não foi finalista, não fez artilheiro da competição, sequer passou da primeira fase. Mas presenciou uma das cenas mais famosas da história do Futebol.

Foi neste jogo, vencido por 3×1 pela Seleção Brasileira, em que o Rei Pelé, pegando o goleiro desprevenido, tentou o gol do meio de campo. A bola passou raspando o gol do ótimo goleiro Viktor que se esforçava para que ela não fosse na direção do gol, mas a bola do Rei Pelé, diferente das outras três vezes nos 3 gols da vitória por 3×1, infelizmente não entrou.

A Tchecoslováquia acabou em 1993, se dividindo em República Tcheca (que foi vice da Euro duas vezes) e Eslováquia, ficando as duas seleções, fora das Copas de 1994 e 1998, voltando apenas em 2006, com a República Tcheca e 2010, com a Eslováquia. Apesar de alguns lampejos de sucesso em Copas e EuroCopas (geração de Nedved, vice-campeã de 1996) e confrontos contra a Seleção Brasileira, não era a mesma coisa. Era outra camisa, outra tradição ali.

Jairzinho inferniza os Tchecos na abertura da Copa de 70, em Guadalajara. Com 3x1 para o Brasil, foi a primeira página do Tricampeonato

Jairzinho inferniza os Tchecos na abertura da Copa de 70, em Guadalajara. Com 3x1 para o Brasil, foi a primeira página do Tricampeonato

E, a terceira saudade, é a gloriosa União Soviética. Mais conhecida pela sigla URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), os soviéticos ficaram marcados não por conquistas, que também existem, mas sim por ter, o que foi para muitos, o melhor goleiro da história, o chamado “Aranha Negra”, Lev Yashin, e por ser a primeira seleção a encarar o Brasil, com Pelé e Garrincha juntos, na Copa de 1958.

A União Soviética com Lev Yashin debaixo das traves, segurou um heróico 0x0 com a Seleção Brasileira, que dias depois, seria Campeã pela primeira vez na Suécia. Mas duas peculiaridades marcaram a partida. A primeira é que, com as camisas vermelhas estampadas com CCCP (URSS em russo) os brasileiros brincavam que o significado da sigla era:  CUIDADO CAMARADA com o CRIOLO PELÉ.

E, foi exatamente neste 0x0 em que Garrincha chamava seus marcadores não pelo nome, mas apenas de “João”. O nome do marcador, para Mané Garrincha, era impronunciável: Boris Kuznetsov. Depois de Garrincha não conseguir dizer Kuznetsov de jeito nenhum, resolveu simplificar a coisa. Todo mundo virava “João”. E pronto.

Dois anos depois, a União Soviética era Campeã da EuroCopa, contra exatamente a Iugoslávia, citada acima. A URSS voltava a decidir a EuroCopa, desta vez, sem sucesso em 1964, 1972 e 1988, esta mais famosa, pelo golaço do holandês Marco Van Basten, quando a Holanda conquistou o caneco do torneio europeu.

Entre 1958 até os dias de hoje, o Brasil voltava a encarar a União Soviética em outras oportunidades: o timaço de Zico e Sócrates de 1982 cruzou com os soviéticos na primeira fase, com vitória brasileira por 4×1. Destaque para o gol de meia bicicleta de Zico e um dos mais famosos e reprisados do Doutor Sócrates. Em 1988, encontrou o Brasil na Final Olímpica em Seul, mas desta vez, levaram a melhor. Os soviéticos faturavam o tão cobiçado Ouro Olímpico que o Brasil ainda não tem.

Parecia premonição: 1988 era o último lampejo de sucesso da União Soviética. Após o fiasco na Copa de 1990, caindo na primeira fase num grupo com Argentina, Romênia e Camarões. Até se classificou para a EuroCopa de 1992, mas com as separações políticas, preferiu disputar a competição com o nome provisório de CEI (Comunidade dos Estados Independentes), ou CIS, em inglês.

Após a Euro 92 e a Olimpíada, também de 1992, a URSS virava Rússia em definitivo, e mais uma vez, desta vez cruzava com o Brasil de Parreira, no primeiro jogo da Copa de 1994, com 2×0 para a seleção de Parreira, gols de Romário e Raí. Mas não era a mesma coisa. Era uma outra filosofia de jogo. Não era a União Soviética transvestida de Rússia.

Era uma seleção tosca, sem alma e sem graça. Fez o artilheiro da Copa, Oleg Salenko (ao lado do búlgaro Hristo Stoichkov) com seis gols, mas caiu de cara na primeira fase, com Brasil, Suécia e, mais uma vez, Camarões, que levara 5 gols dos 6 marcados por Salenko na goleada russa de 6×1 sobre os africanos.

O Blog Memória XX registrou: O Brasil e a União Soviética, na Copa de 1982, se enfrentam em Sevilla

O Blog Memória Século XX registrou: O Brasil e a União Soviética, na Copa de 1982, se enfrentam em Sevilla

E assim, acabavam três seleções que marcaram a história do Futebol. Outros nomes ? Outras bandeiras, hinos e nações surgidas delas ? Outros trunfos e conquistas ? A mim, não é a mesma coisa. Sinto falta de Iugoslávia, Tchecoslováquia e União Soviética. Nos campos, nos videogames, nos álbuns de figurinhas, na TV, nos rádios. Tudo isso acabou vitimado pelas consequências geográficas, forçadas por razões que não convém aqui.

Só sei que, no Placar Eletrônico de luzinha laranja (igual aquele do Maracanã e Morumbi dos anos 80 e 90) do Estádio da Saudade situado em nossas memórias e nossos corações, está lá marcado: Geografia 3, Futebol 0.

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s