O BRIC da Bola

Caros amigos do Blog EU, RADAMÉS Y PELÉ, é o seguinte.

Acredito que, qualquer um que lê o básico de Economia e Política Internacional, já deve ter lido algo (ou muito) sobre o BRIC: Brasil, Rússia, India e China, países que há uns 20 anos viviam na beira da miséria ou reconstrução na maioria de sua extensão e hoje estão se desenvolvendo e se tornando potências, assustando os países do topo do mundo como EUA, Reino Unido, Japão, Alemanha, França e Espanha.

E não é que o Futebol, mais precisamente a Copa do Mundo, também tem seu BRIC ? Exceda os oito Campeões Brasil, Argentina, Uruguai, Itália, Alemanha, Inglaterra, França e Espanha, e a tri vice-campeã Holanda, que, na minha opinião, são os 9 gigantes, resolvi separar quatro países “emergentes” no mundo da bola.

Japão, Portugal, Estados Unidos e México.  Pronto. Está feito o meu JPEUAM, sigla que iremos usar para nos manifestar sobre estes quatro países. Este é o BRIC da Bola. Quatro nações que aprenderam a amar o Futebol e, se desenvolvendo década após década, começam a se comportar pau a pau com as gigantes em Copa do Mundo.

Vale citar: algumas seleções africanas e outras asiáticas como a Coréia do Sul vem se destacando bacana nas últimas Copas do Mundo, mas acredito que o potencial das quatro citadas é maior, no que tange a futuro em Copas. São mais estáveis e com Ligas mais fortes.

O Continente Africano decaiu MUITO nas últimas 3 Copas, focando mais na violência, no anti-jogo e na truculência do que no talento, até me decepcionando a certo ponto. Já a Coréia do Sul, apesar de jogadores até mais talentosos que os japoneses, não é potência em clubes perto da J-League. Isso pesa bastante pro nosso BRIC.

Seleção Japonesa, em 2002. Cabelos coloridos e atletas com estilo de Pop-Star na Terra do Sol Nascente

Seleção Japonesa, em 2002. Cabelos coloridos e atletas com estilo de Pop-Star na Terra do Sol Nascente

A Seleção Japonesa, letra “J” do JPEUAM (não diga, Butti ? ¬¬), se apaixonou pelo esporte. Impulsionados por Sérgio Echigo nos anos 60, e Zico, nos 80/90, fortalecidos pela atraente J-League, que, com altos salários trouxe estrelas de seleções maiores como o italiano artilheiro da Copa de 1990 Totó Schillaci e o brasileiro Careca, também presente na Copa de 1990, viram seu Futebol refletir na Seleção.

A J-League, por tabela,  fez o Japão conseguir o seu maior trunfo: Após debutar em 1998, não saindo da primeira fase, fazendo apenas um gol, quatro anos depois o Japão  pode sediar uma Copa do Mundo em 2002, ao lado da Coréia do Sul, com uma seleção competitiva, pros moldes das “emergentes”. O Japão chegou as Oitavas de Final. Das quatro emergentes, apenas os Estados Unidos, foram mais longe em 2002.

Com jogadores atuando em equipes européias e um estilo de jogo baseado na velocidade e contra-ataque, o Japão ainda peca em dois fatores: dar o azar dos micos de cair em grupos complicadíssimos ou passar de fase e ser eliminada jogando melhor que seu adversário, do mesmo nível, como aconteceu contra o Paraguai em 2010, quando os japoneses jogaram bem melhor e sairam nos pênaltis.

Sem Zico, que agora treina o Iraque, o Japão se reconstrói e prepara a sua Seleção para as Eliminatórias para a Copa 2014. Vem crescendo ano a ano. A J-League ? Vai muito bem, obrigado. Ano passado, a J-League levou um clube a ser semi-finalista ao Mundial de Clubes FIFA, o Kashiwa Reysol, que sucumbiu para o Santos.

Seleção Portuguesa. O 10 e o 9, figurinhas carimbadas que o Futebol Brasileiro conhece muito bem

Seleção Portuguesa. O 10 e o 9, figurinhas carimbadas que o Futebol Brasileiro conhece muito bem

A Seleção Portuguesa talvez seja a mais madura das quatro. Duas vezes semi-finalista de Copas do Mundo em 1966 e 2006 e Vice-Campeã da EuroCopa em 2004, perdendo em casa para a mediana Grécia, Portugal também é veterano no assunto “clubes”. Destacam-se o Benfica, Bicampeão Europeu e maior clube do país, o Porto, Campeão Intercontinental 2004, além do Sporting Lisboa, que sempre figura em grandes torneios.

Seu Futebol, tanto em 1966 na Era Eusébio, como em 2006, na Era Cristiano Ronaldo, foi regido pela mescla do talento individual e defesa forte. Em 1966, Hilário Conceição, Vicente e Baptista, e em 2006, com Ricardo Carvalho, Maniche e Costinha. Os técnicos, ambos brasileiros, também trazem filosofias clássicas: Oto Glória e Luiz Felipe Scolari.

Mais recentemente, Portugal conta com uma linha de frente bastante conhecida e respeitada do Futebol Brasileiro: Cristiano Ronaldo, um dos ídolos favoritos da nova geração, o corinthiano Liédson e o tricolor Deco. Curiosamente, os 2 últimos foram os principais craques dos Campeões Brasileiros, Fluminense em 2010 e o Corinthians em 2011, respectivamente.

A tal geração Cristiano Ronaldo caiu para a Campeã Espanha na Copa de 2010, mas para muitos, apresentava um Futebol bastante interessante. Empatou em 0x0 com o Brasil na Fase de Grupos.

Portugal, apesar da ausência de um título de Copa do Mundo, não precisa provar nada pra ninguém. É uma seleção madura, para muitos, o décimo gigante. Vira e mexe, pipoca e sai cedo da Copa, como 2002 e 2010. Mas, se fizer valer a tradição de seus clubes e atletas clássicos, pode pintar como favorita em 2014, quebrando o jejum e entrando pro Hall das Campeãs.

Seleção dos Estados Unidos, em 2010. O "Soccer"  lá está virando coisa de homem.

Seleção dos Estados Unidos, em 2010. O "Soccer" lá está virando coisa de homem.

Provavelmente, o único país do mundo onde o “Football”, na verdade é outra coisa e se joga com capacetes e bolas ovais, os Estados Unidos estão começando a se entender com o tal “Soccer”, como eles gostam de chamar. Por isso, neste caso é necessário uma explicação maior dos EUA.

O tal “Soccer”, pros Estados Unidos, até os anos 90, era coisa de meninas, das grandes universidades norte-americanas e acabou. Não havia Pelé, Beckenbauer ou Carlos Alberto Torres que o fizessem gostar daquilo e acreditar que  se trata de um esporte que pode terminar 0x0, ser emocionante assim mesmo e, o maior tabu: ser jogado por homens.

Foi preciso um “choque” meio radical na cultura norte-americana para que o “Soccer”, atuado por homens, fosse popularmente bem aceito: sediar uma Copa do Mundo, em 1994. Os EUA tinham acabado de ser Campeões Mundiais, mas com as meninas. Era a vez dos homens mostrarem ao mundo que o Futebol Norte-Americano com os pés era tão bom quanto o jogado com as mãos e bola oval.

É bem verdade que os EUA já haviam figurado em demais Copas nas antigas, protagonizado zebraças ao vencer a Inglaterra em 1950 e ver Pelé e cia alavancando o Futebol local, mas não adiantava nada daquilo. Norte-Americano estava cagando pro Soccer. Negócio deles era o Football (aquele da NFL), o Baseball da MLB e o Basquete da NBA.

Para a Copa de 1994, duas figuraças: os zagueiros Marcelo Balboa e Alexi Lalas. Ambos com aparência e estilo de estrelas da música (Lalas até tocava violão nas concentrações, como um autêntico astro country), até fizeram os EUA ter um futebol razoável e passar de fase num grupo eliminando a então, sensação Colômbia. Mas cruzaram com o futuro Campeão Brasil, de Romário e Bebeto, em pleno Dia da Independência Americana, 4 de Julho, nas Oitavas. Venderam caro a derrota: 1×0 e só.

Após a Copa 1994, nasceu a MLS, a Liga de Futebol Local, que contou com Beckham como o grande astro, no Los Angeles Galaxy, mas a Liga ainda não emplacou popularmente como a J-League, sendo uma paixão mais restrita a parte latina do país. Até criaram uma disputa de Pênaltis esquisita, chamada de Shoot-Out que até onde sei, só existia lá, onde consistia no atacante correr com bola dominada, ele e o goleiro, pra fazer o gol. Nada de marca de cal. Bola rolando mesmo. Eu, hein ?

Mas, o grande 220v na paixão norte-americana pelo “Soccer” veio em 2010, na Copa da África do Sul, ao se classificar nos últimos segundos contra a Argélia, eliminando a Eslovênia, que por sua vez, abdicara de atacar a Inglaterra. Os eslovenos acreditavam ser impossível uma vitória americana diante os argelinos. Mas o gol norte-americano aconteceu nos acréscimos dos acréscimos e a cena arrepiou o mundo.

Os Estados Unidos sucumbiram contra Gana nas Oitavas, é verdade, mas fizeram a Final da Copa das Confederações contra o Brasil, em 2009, dando MUITO trabalho novamente, perdendo por 3×2, de virada. Agora, é aguardar a Seleção Americana em 2014, que ainda busca um estilo próprio. Tudo é muito indefinido, mais vontade e patriotismo do que outra coisa.

Seleção Mexicana. Após sediar duas Copas, o próximo sonho é vencer uma.

Seleção Mexicana. Após sediar duas Copas, o próximo sonho é vencer uma.

“O México jogou como nunca e perdeu como sempre”

É provável que você tenha ouvido tal afirmação N vezes e é mais provável ainda que ela seja real, manchete de algum jornal mexicano, e não apenas um folclore do futebol. O que não é nada real é que o México anda perdendo os torneios como presa fácil do jeito que foi nas demais décadas.

Sediar duas Copas do Mundo e ver nelas os triunfos de Pelé e Maradona, dar alguns presta-atenção na Seleção Brasileira nos últimos anos, pequenos títulos como o de Seleções da CONCACAF, Copa das Confederações e Mundial Sub-alguma coisa não são o bastante para o México.

Seus clubes, depois que passaram a disputar a Libertadores da América em meados de 2000 por imposição da FOX LATINA, detentora dos Direitos e com audiência alta no México, passaram a se destacar cada vez mais em torneios internacionais. As vezes, complicando para brasileiros, uruguaios e argentinos.

O Necaxa foi terceiro lugar no Mundial de Clubes FIFA de 2000, deixando Real Madrid, Manchester United e Al Nasser para trás. No ano seguinte, o Cruz Azul foi vice-campeão  da Libertadores, perdendo para o Boca Juniors e em 2010, o Chivas Guadalajara, também vice-campeão da Libertadores, perdendo pro Internacional. Já o Monterrey, Campeão da CONCACAF esteve no Mundial de Clubes FIFA 2011, mas foi mal. Caiu de cara pros japoneses do Kashiwa Reysol.

O Futebol Mexicano tem como a maior característica a aproximação de sua marcação. Jogar relativamente boa parte do tempo atrás da linha da bola, dando o bote. Mas atacar com 3 atacantes, uma estratégia relativamente ousada para uma seleção “emergente”. Seu maior problema é quando vem seleção grande pela frente. Nas últimas duas Copas, a Argentina enterrou o sonho mexicano na mesma fase: Oitavas de Final.

Vira e mexe, o México atinge uma Quartas de Final, mas é pouco. O México sonha em avançar bem mais em Copas do Mundo, e repetir o feito que viu Brasil e Argentina conseguir dentro de seus domínios. A festiva torcida mexicana cansou de fazer festa pros outros.

Outra característica que vale ser observada em 2014, é a reformulação: muitos atletas ícones da seleção mexicana em outras Copas, como Omar Bravo já devem estar aposentados. É preciso aguardar para ver como a geração mexicana irá se comportar na próxima Copa.

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Pronto, está concluído o nosso JPEUAM, o BRIC da Bola. Países emergentes, que estão caminhando para futuramente beliscar uma Copa do Mundo, ou pelo menos uma Final. Estilos diferentes, mas a mesma vontade e um sonho, para os quatro, ainda não alcançado.

Com a fragilidade de algumas gigantes como Brasil, França,  Itália e Argentina, reformulação em outras, como Inglaterra, Holanda e Alemanha, e manutenção de estilo de Uruguai e Espanha, 2014 é logo ali. Não existe uma HIPER-FAVORITA.

Porque não acreditar num caneco de uma seleção do JPEUAM ? Motivos não faltam.

Até mais !

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

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