Anoiteceu em Porto Alegre…e o Grêmio era Campeão

Humberto Gessinger e a paixão pelo Grêmio

Anoiteceu em Porto Alegre

Na escuridão
A luz vermelha do walkman
Sobre edifícios
A luz vermelha avisa aviões

Nas esquinas que passaram
Nas esquinas que virão
Verde, amarelo, vermelho
Espelho retrovisor

Anoiteceu em Porto Alegre
Anoiteceu em Porto Alegre

Na escuridão, só você ouve a canção
Eu vejo a luz vermelha do teu walkman
Sobre edifícios no 30º andar
Uma flor vermelha nasceu

Nas esquinas que passaram
Nas esquinas que virão
Há sempre alguém correndo
Fugindo da Hora do Brasil

Anoiteceu em Porto Alegre
Anoiteceu em Porto Alegre

Na zona sul existe um rio
Nesse rio mergulha o sol
E ar de fins de tarde, de luz vermelha
De dor vermelha, vermelho anil

Atrás do muro existe um rio
Que na verdade nunca existiu
Mas ar de fins de tarde, de luz vermelha
De dor vermelha, vermelho anil

Aconteceu a meia-noite
Anoiteceu em Porto Alegre
Aconteceu a noite inteira
Aconteceu em Porto Alegre

Quinze pras duas, ruas escuras
Quem tem o mapa, qual é a direção?
Duas e meia, castelos de areia
Cabelos castanhos, estranhos sinais

Já passa das três, pela última vez
De hoje em diante, só uísque escocês
Cinco da manhã, nada diferente
Chegamos finalmente ao dia de amanhã

Eu trago comigo os estragos da noite
Eu trago comigo os estragos da noite
Eu trago comigo os estragos da noite
Escondo meu rosto entre escombros da noite

Um ditador deposto, marcas no rosto
Um gosto amargo na boca
Uma certeza, só uma certeza
Da próxima vez, só uísque escocês

Duas fichas telefônicas, um telefone que não para de tocar
Ninguém atende, eu não entendo
Tão fazendo onda, tão fazendo charme
E um alarme de carro que não para de tocar

Eu trago comigo os estragos da noite
Eu trago comigo os estragos da noite
Eu trago comigo os estragos da noite
Não nego, não nego, não

Uma canção no rádio, uma versão mal traduzida
Um pastor exorciza no rádio de um táxi
Uma certa impressão, uma certeza imprecisa
Quem não precisa de uma versão, uma tradução?

Um ditador deposto, marcas no rosto
Um gosto amargo na boca
E a certeza de que o último dia de dezembro
É sempre igual ao primeiro de janeiro

Eu trago comigo os estragos da noite
Eu trago comigo os estragos da noite
Eu trago comigo os estragos da noite
Meu reino por um rosto, pelo resto da noite

Noites que passaram, noites que virão
Noites que passamos lado a lado em solidão
Noites de inverno, noites de verão
Noites que viramos esperando o sol nascer

Esperando amanhecer
Esperando o sol nascer

Amanheceu em Porto Alegre
Amanheceu em Porto Alegre
Amanheceu em Porto Alegre
Amanheceu

(Seis horas, quinze minutos, zero segundo)

Recomeça tudo lá fora
Here comes the sun
The sun is the same in the relative way
But you are older

(Seis horas, quinze minutos, zero segundo)

Recomeça tudo lá fora
Nas esquinas, nas escolas
Um litro de leite
Meio quilo de pão

(Seis horas, quinze minutos, zero segundo)

Recomeça tudo lá fora, neguinho da Zero Hora
Vende manchetes, quinze pras sete da manhã
Nada diferente, chegamos finalmente
Ao dia de amanhã em Porto Alegre

Uma das canções mais emblemáticas do Rock Nacional 80/90 e que rivalizava com “Faroeste Caboclo” da Legião Urbana como a mais longa do repertório Brazuca, “Anoiteceu em Porto Alegre”, do grupo gaúcho Engenheiros do Hawaii, presente no álbum “O Papa é Pop”, gravado e editado nos anos 80, prova que o Engenheiros do Hawaii tem sim, em seu DNA o Futebol.

Anos depois, Gessinger e cia lança o álbum “Várias Variáveis” de 1991,  que ao lado de demais ícones do dia-a-dia da banda, traz os escudos de Internacional e Grêmio, este segundo, time do coracão do líder da banda Humberto Gessinger. Detalhe que cada ícone está numa espécie de engrenagem, que lembra o escudo do Caxias, de Caxias do Sul.

Mas voltemos a obra do “O Papa é Pop”.

Os estragos da noite de Porto Alegre, cantados incessantemente na música, podem ser simbolizados positivamente, pela festa tricolor, quando o Grêmio de Hugo de León, era Campeão da Libertadores da América e Mundial Interclubes em 1983.

Não importa se acabou o Chimarrão, não importa se o Zero Hora atrasou, não importa se fazem 3 graus na manhã gaúcha, não importa se a Azenha amanheceu sem luz.

Nada mais importa no anoitecer e amanhecer de Porto Alegre quando o Grêmio é Campeão.

É o que justifica o gremista Humberto Gessinger, que afirma ter colocado propositalmente na canção, trechos do narrador Armindo Antônio Ranzolin nas vitórias do Grêmio, que aparecem por duas vezes no meio dos arranjos da canção.

Grêmio Campeão Mundial 1983

Para um paulista, é complicado tentar explicar o que representa para um gaúcho (ainda mais, se for torcedor do Grêmio) contar sobre um retrato fiel da noite de Porto Alegre com pinceladas de Futebol. Mas o fato é que a música, rompeu as fronteiras do Sul do país (veja mais sobre este assunto no post anterior sobre o Santa Cruz de Chico Science) e virou ícone do Rio Grande do Sul mostrado ao mundo.

Era exatamente o caminho que o Grêmio (e, posteriormente, o Internacional) fazia, ao vencer a Libertadores da América e o Mundial de Clubes.

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

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Uma resposta para Anoiteceu em Porto Alegre…e o Grêmio era Campeão

  1. Um dos meus discos favoritos da época. Lembro que ganhei de uma grande amiga, uma chilena/brasileña, Waleska Vergara. Está no Facebook. Um anjo na Terra.
    Lembro desse jogo do Grêmio. Era um timaço, embora nunca tivesse dado muita bola pro Mario Sérgio (que destruiu o Corinthians quando foi treinador em 1993).

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