Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás – Celeste Olímpica, a primeira potência que tudo viveu.

Antes mesmo de criarem a Copa do Mundo, o Uruguai já era potência. Diga-se de passagem, a primeira. Em seis anos, foi Bicampeão Olímpico (título que o Brasil busca o seu primeiro até hoje, diga-se de passagem) em 1924, em Paris, e 1928 em Amsterdam, e Campeão da Copa do Mundo em 1930, realizada no próprio Uruguai, ao bater a Argentina na Final por 4×2.

Ironias do destino, a primeira Campeã Mundial também era a pioneira a vencer uma Copa do Mundo e não voltar para defender sua taça na Copa seguinte, na Itália.

Na época, assim como passou a acontecer recentemente, a Campeã não estava garantida para a Copa seguinte, e o Uruguai ficou de fora em 1934, voltando só em 1938, quando a Itália de Vitório Pozzo era Bicampeã.

Entre os astros da Itália, diga-se de passagem, apesar de não atuar um minuto sequer, no elenco estava o corinthiano Filó, primeiro atleta a atuar no Brasil a ser Campeão da Copa do Mundo, mas isso é assunto para outro post.

Vitimado pelas Guerras Mundiais, a Copa do Mundo parou entre 1938 e 1950, mas exatamente em 1950, o Brasil entrou novamente na história, pois sediou a Copa, mas perdeu a Final em pleno Maracanã com quase 200.000 pessoas, por 2×1, onde, até hoje, culpam o goleiro Barbosa, pela falha, assunto por sinal, comentado pelo Victor Raphael, na coluna de domingo passado, dia 8.

Perdera, exatamente para o Uruguai, que voltava a ser potência. Pela última vez no Século.

O Uruguai, neste século, viu a ascensão de Alemanha, Brasil e Argentina, os trunfos de França e Inglaterra, o “quase” de Holanda e Portugal e o ressurgimento da Itália. Viu também, é verdade, seus principais clubes, Peñarol e Nacional serem protagonistas de N Libertadores da América e Mundiais Interclubes. A Seleção Uruguaia até abocanhou algumas edições da já desinteressante Copa América, mas definitivamente, seu futebol havia ficado no passado.

Ausente de várias Copas do Mundo na segunda metade do Séc. XX, havia quem colocasse o Uruguai (e seus clubes, por tabela) como uma segunda força, uma verdadeira heresia pra Religião Futebolistica. Mas é fato que a Celeste viu várias Copas pela até então, recém-chegada Televisão.

O Uruguai viu também a explosão da tecnologia em brinquedos e entretenimento englobando o Futebol. E, até em videogames de Futebol, veja você, era possível ver o Uruguai em telas junto a seleções pouco escolhidas pelos gamers, como Bolívia e Peru, enquanto Brasil, Argentina e as sensações Paraguai e Colômbia, sempre eram os mais escolhidos entre os gamemaníacos dentre as seleções Sul-Americanas nos games.

Próximo de ver sua primeira conquista comemorar o Centenário (por ironia do destino, o nome do principal templo do futebol uruguaio em Montevidéu, e o primeiro templo futebolístico famoso a nível internacional), o Uruguai tem muito a contar em sua saga, similar a canção de Raul Seixas.

Epa, estávamos esquecendo alguma coisa ! Provavelmente, o capítulo que dá o gancho desta história.

Veio o Séc XXI, e não é que o Uruguai resolveu ressurgir ?


Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.
Em 2009, o sorteio das chaves, colocava a então, desacreditada e candidata a saco de pancadas do Grupo, Celeste Olímpica, no Grupo A, ao lado da anfitriã África do Sul, da França, vice-campeã da Copa anterior em 2006, e do México, em fortíssima ascensão no Futebol das Américas.

O Uruguai passou em primeiro lugar do Grupo, com o México em segundo lugar.
Iria enfrentar a rápida e habilidosa seleção da Coréia do Sul, melhor seleção asiática, cheia de atletas em seu elenco, atuando em grandes clubes europeus.

Os adeptos do Futebol Moderno pensavam: “acabou a brincadeira. Agora cai”, “passou na sorte. Vai levar um pau” ou “xiiii, vai embora nas Oitavas”.

Não caiu.
E foi indo. Indo. E indo.

O Uruguai eliminou a Coréia do Sul por 2×1 e, nas Quartas de Final, num jogo com ares cinematográficos, digno do saudoso Canal 100, eliminou os africanos de Gana, nos Pênaltis.

Assim, o Uruguai, repetindo um feito que não ocorria desde 1970 quando chegou e perdeu para o Brasil do Rei Pelé, novamente chegou as Semi-Finais, mas assim como no México, esbarrou com outro gigante: a Holanda, que, com um scratch fortíssimo, após um jogo bastante disputado, eliminou a brava Celeste Olímpica de Forlán e cia.

O Uruguai, terminava em 4º Lugar (perdera para a gigante Alemanha na disputa de terceiro e quarto, Diego Forlán (isso mesmo, o filho do astro são-paulino dos 60 e 70, Pablo Forlán) era eleito o melhor jogador do torneio, e um dos artilheiros do mesmo), enquanto, no dia seguinte, a Espanha se sagrava Campeã da pior Copa do Mundo da história ao vencer a Holanda (que era “quase” pela terceira vez) por 1×0, mas isso não interessa.

Parecia premonição: um ano depois, um de seus principais clubes, o Peñarol, chega a Final da Libertadores da América. É derrotado pelo Santos de Neymar, mas o fato que não ocorria há anos, vale o registro.

O resultado pouco importava. O que importava é que a potência, que nascera a uns cem anos atrás, mas que duraram quase dez mil anos, estava de volta. E viu toda a história do Futebol ser escrita e reescrita.

Quem não tinha nada neste mundo que qual time não sabia demais, jamais deixaria de renascer.
Eu nasci….há dez mil anos atrás
E não há nada neste mundo que eu não saiba demais

 

Luís Butti
Twitter: @luisbutti

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s