Avaí, Meu Avaí – A Bossa de Luiz Henrique Rosa

Desde que o mundo é mundo e o assunto é música, sempre existem algumas máximas e regras:

1) Hinos de Clubes de Futebol, em sua versão oficial, sempre são tradicionalíssimos, versos fortes, marcheados, regidos por uma orquestra e de vez em quando, um côro.

2) Bossa Nova, 90% dela acontece no Rio de Janeiro em botequins, praias ou becos de Copacabana, Ipanema e demais paisagens turísticas e bucólicas, enquanto os outros 10% se dividem entre Bahia, com João Gilberto e Dorival Caymmi ou em São Paulo, com Elis Regina e Toquinho.

Pois bem, caro amigo internauta, e não é que encontramos uma exceção belíssima, para as duas regras ?

(o que proporcionou, na minha humilde opinião, o mais belo post deste Blog. Pronto desde sábado, resolvi segurá-lo para o meio da semana)

Florianópolis, anos 60. A cidade mais carioca fora do Rio de Janeiro pra baixo do Norte/Nordeste. Enquanto as escolas de samba da cidade traziam aderecistas e compositores do Rio de Janeiro para valorizar seu Carnaval e os clubes cariocas ganhavam o coração dos florianopolitanos, que não penderam, ou para o Avaí, ou para o Figueirense, algo tão imporante quanto acontecia por ali.

Luiz Henrique Rosa, compositor e violonista de Florianópolis, realizava o caminho inverso: saía de Santa Catarina com a sua Bossa Nova, que exaltava as belezas de Florianópolis para ganhar o Rio e ser aceito no Beco das Garrafas, onde frequentavam Tom, Vinicius, Nara e cia. Também foi para o exterior tentar a sorte com Hermeto Paschoal, Sivuca, Flora Purim e Airto Moreira. Também chegou a tocar com gênios como Stan Getz, Oscar Brown Junior e Bobby Hacket, e um certo relacionamento com Liza Minelli, que o visitara no final dos 70.

Em Florianópolis, sua parceria mais representativa para a cidade: com o poeta maior de SC, Zininho, no começo dos anos 60.

Além de um apaixonado pela Bossa Nova, Luiz Henrique Rosa era torcedor fanático do Avaí Futebol Clube.

E, como não poderia deixar de ser, ao lado do amigo Fernando Bastos, (Bastos, que por sua vez,  chegara a ser Presidente do Avaí, inclusive), compôs o Hino do Avaí.

Luiz Henrique, faria a belíssima e suave melodia, e Bastos, a letra. E pronto: temos o primeiro hino de um clube de futebol brasileiro em legítima Bossa Nova, com balanço, métrica e arranjos do gênero, contrariando todos os aspectos e padrões para Hinos de Clubes.

Estava composta a incrível Bossa do Avaí. Um Hino, não apenas de um clube, mas de amor a Ilha.

Nunca um hino de clube de Futebol quebrava tantos padrões e entraria para a Playlist popular, até de torcedores do Figueirense Futebol Clube, rival mortal do Avaí, dividindo a cidade em dois: o continente, “ficaria” com o Figueira. A parte da Ilha, “ficaria” com o Leão.

(Só esclarecendo para quem nunca visitou Florianópolis, a cidade possui duas partes: Uma no continente e outra, numa ilha. É dividida pela maravilhosa Ponte Hercílio Luz, cartão postal da cidade. Curiosamente, cada clube da cidade adotou uma parte dela como “seu”.)

Luiz Henrique Rosa seguiu sua carreira com álbuns fantásticos, mas infelizmente pouco conhecidos fora do Sul do País – vale a pesquisa e o garimpo em sebos – até o ano de 1985, onde Luiz Henrique era, definitivamente imortalizado.

Luiz Henrique falecera no dia 9 de Julho de 1985 num acidente automobilístico em Florianópolis, mas sua obra, certamente ficara não só nos corações dos avaianos, mas de todos os que tiveram acesso ao seu trabalho.

“A vida é mesmo assim. Pode estar no começo e estar chegando ao fim”
Luiz Henrique Rosa

O Hino, posteriormente ganhou versões em vários estilos (até orquestrado), como acontece com todos os clubes, mas sempre ficará marcado pela sua versão oficial em Bossa, Balanço e Balada de Luiz Henrique e Fernando Bastos.

 

Luís Butti

 

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