Jogou sua partida como se fosse a última….

Jogou sua partida como se fosse a última....

Caros amigos, e o goleiro Marcos, da Sociedade Esportiva Palmeiras, finalmente parou.

A exemplo do amigo Ronaldo Fenômeno, do Sport Club Corinthians Paulista, que fez o mesmo no primeiro semestre de 2011, São Marcos, como era chamado pela torcida alviverde, abandona os gramados e agora, assim como o Fenômeno fará pros lados de Parque São Jorge, Marcos Roberto Silveira Reis agora fará parte dos imortais nos jardins do Palestra Itália, ao lado de Ademir da Guia, que possui um busto por ali.

Chico Buarque, sem saber, já nos anos 70 já traduzia a realidade de São Marcos e Ronaldo Fenômeno, em “Construção”.

Considerada por muitos como a melhor música brasileira já feita em todos os tempos, “Construção” possui significado ímpar e cai perfeitamente como trilha para ilustrar o triste adeus de dois mitos, que atuaram de lados diferentes de um dos maiores jogos do país. Senão, o maior.

Tanto Ronaldo como Marcos agonizaram perante a seus públicos e comeram do bom e do melhor como se fossem príncipes. Morreram atrás dos gols atrapalhando o sábado e flutuaram no ar como se fossem pássaros.

Não importa. Vai embora a carreira e fica a imortalidade de dois indivíduos que, ao encarnarem o posto de semi-deuses sem perderem a humildade, elevam o CORINTHIANS X PALMEIRAS ao mais alto grau do Olimpo do Futebol.

Obrigado, Ronaldo Luiz Nazário de Lima.
Obrigado, Marcos Roberto Silveira Reis.

Jogou sua partida como se fosse a última…..

Deus lhe pague. Assim como Chico diria.

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague


http://www.youtube.com/watch?v=WEh5mfCdqYE

http://www.youtube.com/watch?v=jzWI_JjFBr0&feature=related

Luís Butti

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2 respostas para Jogou sua partida como se fosse a última….

  1. Calinka disse:

    Butti, adorei o título, mas a música do Chico fala de um cara que vive as margens, que convive com a idiferença da socidade, e essa, com certeza, não é a realidade deles. Acho que ai caberia outra música.

  2. Calinka disse:

    E o pedreiro da música não come de fato do bom e do melhor, ele come feijão com arroz, e pra ele, comer ja é uma atitude de principe. Bom, pelo menos é o que eu sinto ai.
    Eu choro com essa música desde criança, e essa parte, em especial, me emociona muito. É o verso que mais me emociona de todas as músicas, acho.

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